A REBELIÃO DOS BÁRBAROS

Genserico interpretado por Richard Brake

Os vândalos eram descritos pelo historiador bizantino do século VI Procópio como altos, loiros e “bonitos de se ver”.Genserico nasceu por volta de 389 d.C., filho ilegítimo do grande rei vândalo Godegisílio. Quando Genserico foi eleito rei em 428, os vândalos tinham sido por muito tempo povos errantes. Movidos pelo avanço dos hunos, os vândalos cruzaram a fronteira norte do império pelo rio Reno, em 406, e encontraram seu caminho para a Espanha. Lá, eles se estabeleceram, mas assim que o governo de Genserico teve início, eles foram atacados pelos visigodos e tiveram que migrar para o Norte da África.

 

Na época, o Mestre dos Soldados romanos do Norte da África, Bonifácio, tinha medo de perder sua posição devido a intrigas em Roma. Como resultado, ele concordou com Genserico que um determinado número de vândalos poderia se estabelecer na África e trabalhar como mercenários para dar suporte ao seu cargo. Em uma operação gigantesca, Genserico deslocou toda a população vândala – mais de 20 mil soldados junto com 60 mil famílias não combatentes – pelo Estreito de Gibraltar.

 

Genserico parece ter sido um homem de reflexões profundas e poucas palavras, com desdém pelo luxo, furioso, ganancioso por suas conquistas, sagaz ao ganhar dos bárbaros e habilidoso em plantar as sementes da dissidência ao seu próprio favor.

 

Chegando à Líbia, ele descobriu que Bonifácio não precisava mais dos seus serviços e que estava exigindo que os vândalos retornassem à Espanha. Mas Genserico conseguiu ver uma grande oportunidade nas terras férteis do Norte da África. Ele se recusou a ir embora e os vândalos derrotaram as forças romanas enviadas por Bonifácio para expulsá-las. Em seguida, conquistaram o território litorâneo até a cidade de Hipona e ali se estabeleceram para subjugar a população da cidade à fome. Por fim, após 14 meses amargos, ele entrou na cidade e a tornou capital do novo reino vândalo em 435. A vitória foi a porta de entrada para o verdadeiro prêmio de Genserico: Cartago, uma cidade vital para o abastecimento dos romanos, e que eles dominaram por quase 600 anos. Por quatro anos, Genserico cooperou de forma submissa com os romanos. Foi então que, repentinamente, em 339, enquanto as forças ocidentais de Roma estavam ocupadas pelos godos e francos, ele fez seu avanço, tomando Cartago em um ataque surpresa.

 

Nesse golpe brilhante, Genserico adquiriu não apenas Cartago, mas também os navios romanos ancorados no seu porto. Mostrando mais uma vez sua desenvoltura, Genserico começou a transformar seus vândalos nos piratas mais formidáveis do Mediterrâneo e da Sicília e, embora um contra-ataque romano em 441 tenha recuperado essa ilha, os vândalos continuaram a invadir livremente o sul da Europa enquanto Roma enfrentava problemas para lidar com Átila.

 

Na década de 450, os vândalos tiveram um momento próspero de paz com o Império. Genserico estava pressionando o imperador relutante para que lhe entregasse sua filha Eudóxia para o casamento planejado com seu filho. Ele também era capaz de ver como a ameaça crescente ao Império imposta pelos hunos poderia estar ao seu favor. Começou então a enviar presentes em dinheiro para subornar Átila a atacar a fronteira romana e impedir que os romanos reunissem seu exército contra ele.

 

Em 455, o imperador Valentiano foi assassinado em um golpe palaciano e, mais uma vez, Genserico enxergou uma oportunidade. Os vândalos pegaram seus barcos e navegaram até a Itália, onde marcharam até Roma. Máximo fugiu apavorado, mas foi apanhado por uma multidão romana em fúria e apedrejado até a morte por sua covardia.

 

O saque de Roma, em 455, marcou o declínio final do Império Romano no Ocidente. Ele não foi tão violento conforme diz a lenda. Os vândalos pilharam, mas deixaram grande parte das construções da cidade intacta.

 

À época da morte de Genserico, em 477, depois de quase 50 anos no trono, ele havia levado uma pequena e insignificante tribo germânica e a transformado em uma grande potência mediterrânea.