A BÍBLIA

Judas

Filho de Simão de Queriote, Judas Iscariotes, foi um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, era o único membro original da banda apostólica que não era galileu, sendo seu nome uma helenização do nome hebraico Judá. Nascido em Kerioth, na região da Judeia, foi um dos primeiros a juntar-se a Cristo e, por ser o que mais tinha conhecimento em letras e números, tornou-se o tesoureiro dos Apóstolos.

Segundo o Evangelho de Mateus (26:15; 27:3), Judas foi o traidor que vendeu Jesus aos sacerdotes e anciãos do povo por 30 moedas de prata que, naquele tempo, correspondia ao preço de um escravo (Êxodo 21:32). O episódio se dá depois da última ceia, quando Jesus foi orar com os apóstolos no jardim de Getsêmani, onde Judas identificou-o aos inimigos ao beijá-lo e chamá-lo de mestre.

A motivação de sua ação é justificada nos Evangelhos de diferentes modos. Assim, nos Evangelhos mais antigos, como os de Mateus (26:14-16) e Marcos (14:10-11), tal ação deveu-se à sua avareza. Já nos Evangelhos de Lucas (22:3) e de João (13:2-27) o seu procedimento é subordinado à influência direta do diabo.

No Evangelho de Mateus (27:3-10) há relatos de que Judas arrependeu-se amargamente depois que viu a crucificação de Jesus, jogou as 30 moedas aos pés dos sacerdotes e, dominado pelo remorso, suicidou-se enforcando-se numa figueira.

Durante muito tempo, a Igreja Católica associou a sua figura ao povo judeu por não terem aceitado Cristo como o prometido Messias. Culturalmente, o beijo de Judas tornou-se um símbolo da amizade falsa e da hipocrisia. introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. Alguns países adotaram o costume da “malhação de Judas”, que simboliza a morte de Judas Iscariotes e consiste em espancar e queimar publicamente, sempre no Sábado de Aleluia, um boneco de palha, que personificaria o traidor de Cristo. Em Corfu, na Grecia, por exemplo, as pessoas em um sinal dado na véspera de Páscoa lançam grandes quantidades de louça de suas janelas e telhados para as ruas para simbolizar um apedrejamento de Judas.

Todavia, existe um livro chamado o Evangelho de Judas, que é um evangelho apócrifo*, atribuído a autores gnósticos nos meados do século III. Sob sua ótica, contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas era o discípulo mais fiel a Jesus, aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. Seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo. Nele, Judas aparece como um conspirador de Jesus, ao invés de um traidor, que teria atendido a um pedido deste para denunciá-lo aos romanos, como parte de um plano para libertar seu espírito de seu corpo. 

O drama da vida e morte de Judas Iscariotes foi, desde sempre, uma das maiores inspirações para a criação de obras artísticas na história. Representada por artistas como Leonardo da Vinci, Giotto; Fra Angelico, Antoon van Dyck, Dante Alighieri, Ferdinando Petruccelli della Gattina, Raul Seixas, Kelly Clarkson e Lady Gaga.

 

* Os Livros apócrifos apresentam narrativas e informações que divergem da doutrina estabelecida pela Igreja Católica em seu início. Muitos destes textos foram considerados heréticos e, por isso, excluídos da Bíblia.  A maioria deles consistem em cartas, coletâneas de frases, narrativas e profecias que abordam a vida de Jesus Cristos e seus seguidores. Alguns, ainda, apresentam diferentes versões de fatos narrados no Antigo Testamento, como, por exemplo, a criação do mundo.