Hoje na história

01.nov.1955

Começa a Guerra do Vietnã

Apesar de nunca ter havido uma declaração de guerra oficial, convencionou-se considerar o dia 1º de novembro de 1955 como o início da Guerra do Vietnã, pois é a partir dessa data que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos começa a contabilizar as mortes no conflito. O confronto foi intensificado pela Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética. Por volta de 3 milhões de pessoas foram mortas em 20 anos de guerra (incluindo 58 mil soldados dos EUA). Mais da metade das vítimas eram civis vietnamitas.

Antecedentes

O Vietnã é uma nação do sudeste da Ásia no extremo leste da península da Indochina que estava sob o domínio colonial francês desde o século XIX. Durante a Segunda Guerra Mundial, as forças japonesas invadiram o país. Para combater tanto os japoneses quanto a administração colonial francesa, o líder político Ho Chi Minh - inspirado pelo comunismo chinês e soviético - formou o Viet Minh (Liga pela Independência do Vietnã).

Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão retirou suas forças do Vietnã. Depois disso, o imperador Bao Dai, de educação francesa, ficou no comando do país. Vendo uma oportunidade de assumir o controle, o Viet Minh imediatamente se rebelou, tomando a cidade de Hanói, no norte. Em 1945, foi declarada a independência da República Democrática do Vietnã, tendo Ho Ho Chi Minh como presidente.

Depois disso, vários conflitos eclodiram na região. Durante a Primeira Guerra da Indochina, que durou oito anos, os comunistas chineses de Mao Tsé-Tung apoiaram o Viet Minh, enquanto os Estados Unidos ajudaram as forças francesas e anticomunistas vietnamitas do sul. Em 1954, os franceses sofreram uma grande derrota em Dien Bien Phu, no noroeste do Vietnã, levando a negociações de paz que resultaram na divisão do Vietnã, acertada em uma conferência em Genebra. Com isso, Ho Chi Minh ficou com o comando do Vietnã do Norte, enquanto o Imperador Bao Dai controlava o Vietnã do Sul.

Em 1955, o político anticomunista Ngo Dinh Diem afastou o imperador Bao Dai e se tornou presidente do Vietnã do Sul. No final da década de 1950, surgiu uma guerrilha comunista no sul formada por apoiadores de Ho Chi Minh, apelidados de vietcongues. Com a Guerra Fria se intensificando em todo o mundo, os Estados Unidos endureceram suas políticas contra quaisquer aliados da União Soviética. Por isso o presidente Dwight D. Eisenhower anunciou apoio a Diem e ao Vietnã do Sul.

A partir do verão de 1955,  Diem  lançou a campanha "Denuncie os comunistas", durante a qual os comunistas e outros elementos antigoverno foram presos, torturados ou executados. Em agosto de 1956, ele instituiu a pena de morte contra qualquer atividade considerada comunista. No ano seguinte, os vietcongues e outros oponentes do regime de Diem começaram a revidar com ataques a funcionários do governo e outros alvos, e em 1959 deram início a batalhas contra o exército sul-vietnamita. Em dezembro de 1960, os oponentes de Diem no Vietnã do Sul - comunistas e não-comunistas - formaram a Frente de Libertação Nacional (NLF) para organizar a resistência ao regime.

Teoria do Dominó

Sob o pretexto da "teoria do dominó", que sustentava que se um país do Sudeste Asiático se tornasse comunista, muitos outros países o seguiriam, o então presidente John Kennedy aumentou o auxílio dos Estados Unidos ao Vietnã do Sul. Em 1962, a presença militar dos EUA no país atingiu cerca de 9 mil soldados, em comparação com menos de 800 na década de 1950.

Em novembro de 1963, um golpe de estado resultou na derrubada de Diem, que acabou executado. A instabilidade política resultante no Vietnã do Sul convenceu o sucessor de Kennedy, Lyndon B. Johnson, e o Secretário de Defesa Robert McNamara a aumentarem ainda mais o apoio militar e econômico dos EUA ao país.

Após o golpe, houve um período de caos. Hanói aproveitou a situação e aumentou seu apoio aos guerrilheiros. O Vietnã do Sul entrou em um período de extrema instabilidade política. Nos anos seguintes, a presença dos EUA no Vietnã se intensificou cada vez mais. Em março de 1965, Johnson tomou a decisão de enviar forças de combate dos EUA para lutar no Vietnã. Em junho, 82 mil tropas de combate estavam estacionadas no Vietnã, e os líderes militares pediam mais 175 mil até o final do ano para reforçar o exército do Vietnã do Sul.

Em novembro de 1967, o número de tropas americanas no Vietnã estava se aproximando de 500 mil, e as vítimas dos EUA atingiram 15.058 mortos e 109.527 feridos. À medida que a guerra prosseguia, alguns soldados desconfiavam das razões do governo para mantê-los lá, bem como das repetidas alegações de Washington de que a guerra estava sendo vencida.

Marchas e protestos

Nos últimos anos da guerra, houve um aumento da deterioração física e psicológica entre soldados americanos, incluindo uso de drogas, transtorno de estresse pós-traumático, motins e ataques de soldados contra oficiais. Bombardeada por imagens horríveis da guerra em suas televisões, a população dos EUA também se voltou contra a guerra: em outubro de 1967, cerca de 35 mil manifestantes protestaram em frente ao Pentágono. Os opositores da guerra argumentaram que os civis, e não os combatentes inimigos, eram as principais vítimas e que os Estados Unidos estavam apoiando uma ditadura corrupta em Saigon.

A opinião pública ficou chocada com a revelação de que os soldados dos EUA massacraram sem piedade mais de 400 civis desarmados na vila de My Lai em março de 1968. Após o massacre, os protestos contra a guerra continuaram a crescer. Em 1968 e 1969, houve centenas de marchas e protestos em todo o país.

Desgaste e fim da guerra

Após sucessivas derrotas e com o desgaste crescente perante a população, os Estados Unidos passaram a planejar sua retirada do conflito. Em janeiro de 1973, os EUA e o Vietnã do Norte concluíram um acordo final de paz, encerrando hostilidades abertas entre as duas nações. A guerra entre o Vietnã do Norte e Vietnã do Sul continuou, no entanto, até 30 de abril de 1975, quando as forças do Norte capturaram Saigon, renomeando-a Cidade de Ho Chi Minh (em homenagem ao líder comunista, morto em 1969).

Após quase 20 anos de guerra, cerca de 2 milhões de vietnamitas foram mortos, enquanto 3 milhões foram feridos e outros 12 milhões se tornaram refugiados. A guerra destruiu a infraestrutura e a economia do país, e sua reconstrução foi lenta. Em 1976, o Vietnã foi unificado como República Socialista do Vietnã, embora a violência esporádica tenha continuado nos próximos 15 anos.

Sob uma ampla política de livre mercado implementada em 1986, a economia vietnamita começou a melhorar, impulsionada pela exportação de petróleo e pela entrada de capital estrangeiro. As relações comerciais e diplomáticas entre o Vietnã e os EUA foram retomadas na década de 1990.


Imagens: National Archives and Records Administration; Library of Congress; Domínio Público, via Wikimedia Commons