Hoje na história

06.jul.2019

Morre João Gilberto, pai da bossa nova

O músico João Gilberto morreu em 6 de julho de 2019, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. Conhecido como o pai da bossa nova, ele influenciou gerações de artistas em todo o mundo com sua batida original e revolucionária.

Nascido em Juazeiro, no sertão da Bahia, se apaixonou pela música ainda na infância. Seu pai, um próspero comerciante da cidade, era músico amador. Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão. Em 1950, o artista se juntou ao conjunto vocal Garotos da Lua e partiu para o Rio de Janeiro.

Em 1952, teve a oportunidade de gravar um disco solo, que não fez sucesso. Depois disso, gravou com outros músicos e passou um tempo em outras cidades, como Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e Diamantina, em Minas Gerais. Em seguida, João partiu para Juazeiro, onde passa dois meses com a família. Lá, compõe "Bim Bom", confiante de que havia encontrado a batida que queria, que depois seria batizada de bossa nova. 

No início de 1957, João Gilberto parte para o Rio de Janeiro, para sua consagração. 26 anos, procurou mostrar sua nova técnica aos músicos e, quem sabe, conseguir gravar. No ano seguinte, Elizete Cardoso lança o famoso LP Canção do Amor Demais, contendo músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O disco, entretanto, entraria na história da música popular brasileira por outro motivo: João Gilberto acompanhava Elizete ao violão nas faixas "Chega de Saudade" e "Outra Vez", sendo essas as primeiras gravações da chamada "batida da bossa nova". 

Em seguida, João lança um disco de 78 rpm contendo "Chega de Saudade" e "Bim Bom". Este disco inaugura o gênero da bossa nova, e logo se torna um sucesso comercial. Sua gravação teve arranjos de Tom Jobim, participação de orquestra e de Milton Banana, entre outros artistas. João inovou ao pedir dois microfones para gravar: um para a voz e outro para o violão. Desse modo, a harmonia passou a ser mais claramente ouvida. Seu jeito de cantar, quase sussurrado, destoava do estilo dos cantores da época. O disco estourou primeiro em São Paulo, o principal mercado do país na época. Foi um sucesso de vendas e primeiro lugar nas rádios. 

Em 1959, João Gilberto lança o disco Chega de Saudade, que vira um sucesso de vendas. A importância deste primeiro disco de João Gilberto é mostrada por Tom Jobim já no texto de contracapa do LP: "Em pouquíssimo tempo, (João) influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores". Entre os músicos influenciados estavam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Francis Hime, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor, Paulinho da Viola, entre outros.

Em 1962, João participa de um concerto no Carnegie Hall, em Nova York, patrocinado pelo Itamaraty, com o objetivo de promover a bossa nova nos Estados Unidos. Além de João, participaram Luiz Bonfá, o conjunto de Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Tom Jobim, entre outros. Entre os espectadores estavam Tony Bennett, Peggy Lee, Dizzy Gillespie, Miles Davis e Gerry Mulligan.

No ano seguinte, João se juntou a Stan Getz, Astrud Gilberto, Tom Jobim, Milton Banana e Tião Neto para gravar o disco Getz/Gilberto. Logo, o álbum começa a ser louvado por críticos, músicos de jazz e aclamado pelo público, que faz dele o segundo álbum mais vendido de 1964. Em 1965, o disco concorreu em nove categorias e venceu quatro prêmios Grammy. 

Depois de morar nos Estados Unidos por muito tempo, João Gilberto volta ao Brasil em 1979. Perfeccionista e recluso, era conhecido pelo comportamento excêntrico. Nos últimos anos, enfrentou problemas financeiros e de saúde. O músico chegou a ser interditado judicialmente pela família em 2017. Ele deixou três filhos, João Marcelo, Bebel e Luisa.


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