Brasil de Imigrantes

Episódios inéditos: segundas, às 20h40

BRASIL DE IMIGRANTES

O que os japoneses têm a nos ensinar sobre ética no trabalho

A imigração japonesa no Brasil começou oficialmente com a chegada de 165 famílias no porto de Santos, em 1908. Aos poucos, as influências daquele povo se espalharam pela sociedade brasileira, deixando marcas profundas na cultura do nosso país. Uma característica japonesa que ainda pode nos ensinar importantes lições envolve a ética no trabalho. 

O modo como os japoneses encaram o trabalho vem de uma tradição que remonta ao período feudal. Muitos dos valores cultivados por eles, como lealdade, comprometimento com o dever, honra e harmonia em relação a seu grupo, já estavam presentes no bushido, "o caminho do guerreiro", código de conduta dos samurais. O bushido foi desenvolvido entre os séculos IX e XII e e exerceu grande influência na cultura japonesa.

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A ética japonesa no trabalho também tem raízes nas tradições religiosas budistas. Assim, o ato de trabalhar é visto como uma disciplina espiritual: o estado de iluminação, não o ganho econômico, é a recompensa recebida pela devoção altruísta ao trabalho. O mestre zen japonês Suzuki Shoshan (1579 – 1655) dizia que o trabalho é uma prática espiritual que ajuda as pessoas a alcançarem o "paraíso" budista.

Por esse motivo, a ética japonesa difere bastante do modo de trabalho praticado na Europa e nas Américas, por exemplo. Nesses lugares, o ato de trabalhar não tem um valor inerente, sendo apenas uma negociação na qual um profissional troca seus serviços por uma remuneração. Encarar o trabalho como algo que vai além das relações financeiras e também abrange valores pessoais elevados é uma lição que os japoneses espalharam pelo mundo e que ainda pode ser bem aproveitada no Brasil.


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