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IMPÉRIO ROMANO

Crânios alongados milenares podem dar pistas sobre o fim do Império Romano

Há cerca de mil anos, dezenas de esqueletos com aparência "alienígena" foram enterrados em um cemitério situado na atual Hungria. Entre os anos 1960 e 1990, ao menos 50 crânios alongados foram encontrados no local. Agora, uma nova pesquisa indica que esses restos mortais podem dar pistas sobre a vida durante a queda do Império Romano.



Usando análises de isótopos e técnicas de antropologia biológica, arqueólogos do Centro de Arqueometria Curt-Engelhorn, na Alemanha, e da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, analisaram os esqueletos milenares. Os pesquisadores descobriram que ao menos três grupos distintos de pessoas foram enterrados no cemitério de Mözs-Icsei dűlő ao longo de três gerações, entre os anos de 430 e 470 d.C. Indivíduos com crânios alongados foram encontrados em todos os grupos. 

Segundo os pesquisadores, os esqueletos do primeiro grupo foram enterrados em sepulturas de estilo romano. Já os do segundo grupo parecem ter sido sepultados com características "estrangeiras". Os do terceiro grupo combinavam práticas romanas com costumes funerários de outras tradições. 

De acordo com os pesquisadores, o fato de pessoas de diferentes origens terem sido enterradas em um mesmo cemitério sugere que esses grupos viviam juntos. Eles teriam estabelecido uma comunidade na qual hábitos e costumes culturais que antes eram regionais foram adotados de forma abrangente entre comunidades distintas nos últimos anos do Império Romano. Segundo os autores do estudo, entre esses costumes compartilhados estava a prática do alongamento de crânio. A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS ONE.

Por milhares de anos, grupos humanos de várias partes do mundo modificaram crânios de forma intencional amarrando a cabeça de bebês com tecido ou prendendo a cabeça deles entre dois pedaços de madeira. Pesquisadores acreditam que geralmente a prática tem o significado de pertencimento a um grupo étnico ou social. Isso fortalecia o senso de coletividade e comunidade entre o grupo.


Fontes: Live Science e IFLScience

Imagem: Balázs G. Mende/Research Centre for the Humanities/ Hungarian Academy of Sciences/Reprodução