BRASIL

5 pratos brasileiros que você provavelmente não sabia que têm origem estrangeira

A culinária do Brasil é muito rica e foi influenciada por ingredientes de várias nações. Nos próximos dias, o Museu da Imigração, em São Paulo, promove dois eventos que celebram essa diversidade gastronômica: o VIVA! Itália (20/10) e o Comida de Herança (26 e 27/10). Por falar nisso, você sabia que até mesmo pratos considerados tipicamente brasileiros têm raízes em outros países? Confira abaixo alguns deles:  

Feijoada

O prato mais tipicamente associado ao Brasil tem origens no exterior. A lenda mais difundida diz que o prato foi criado nas senzalas. As pessoas escravizadas, nos poucos intervalos dos trabalhos forçados, cozinhavam o feijão e juntavam os restos de carne rejeitados pela casa-grande: partes do porco que não agradariam ao paladar dos senhores. Entretanto, alguns historiadores também apontam outras origens para o prato. Na verdade, ele seria uma adaptação de pratos típicos europeus, como o cozido português, o cassoulet francês e a paella espanhola.

Acarajé

Nada mais baiano do que um acarajé. Mas a iguaria foi trazida ao Brasil pelos africanos escravizados. O prato é muito comum na região da África Ocidental, onde recebe diferentes nomes, como akara. Especificamente no norte da Nigéria é também chamado de kosai. No Gana, por sua vez, ele leva o nome de koose. O acarajé dos Iorubás corresponde à iguaria consumida no Brasil, sendo semelhante ao falafel árabe do Oriente Médio. Por sua vez, os árabes levaram essa iguaria para a África em diversas incursões entre os séculos VII e XIX. 

Coxinha

Pode parecer estranho, mas a origem dessa iguaria não é tão brasileira assim. A receita foi adaptada da culinária francesa e referências ao salgado podem ser encontradas em uma obra do chef de cozinha francês Antonin Carême (1784 –1833). De acordo com especialistas, o  quitute nasceu da coxa-creme, que é francesa. No livro L’Art de la Cuisine Française au XIXème Siécle , o cozinheiro chama a coxinha de "croquette de poulet" (croquete de frango) e aconselha moldá-la "en forme de poires" (no formato de peras). A coxinha parece ter estreado em Portugal na corte de d. Maria I (1734-1816). De lá, a delícia veio para o Brasil, onde passou por modificações ao longo do tempo, principalmente com a chegada dos italianos entre 1880 e 1930.

Moqueca

A Bahia e o Espírito Santo costumam disputar a autoria da moqueca. A versão capixaba tem sua história ligada aos índios da região. Para pesquisadores, as influências dos indígenas locais teriam se misturado com as peixadas portuguesas, criando o prato como o conhecemos hoje. Já a versão baiana da moqueca é preparada com ingredientes bastante utilizados na culinária angolana, como o leite de coco e o azeite de dendê.

Bolovo

Essa iguaria é um clássico dos botecos brasileiros. Mas, na verdade, o bolovo tem origem britânica. O ovo à escocesa (ou scotch egg) é feito com um ovo cozido coberto por carne de porco moída e depois empanado na farinha de rosca e frito. No Brasil, o salgado é parecido: é feito com ovo cozido, carne moída e coberto com uma massa de salgado, a mesma usada para produzir coxinhas e risoles. Depois de empanado, é frito em gordura quente.


VIVA! Itália 

20/10, das 10h às 18h  (bilheteria até as 17h) | R$10

O Museu da Imigração realizará a segunda edição do “VIVA! Itália” em parceria com o Consulado Geral da Itália em São Paulo. A programação integra a 8ª Semana da Cozinha Regional Italiana e contará com apresentações artísticas, além de gastronomia com a presença de chefs italianos, palestras, filmes, degustações, oficinas e espaço infantil.

Ingressos antecipados | venda EXCLUSIVA http://www.ticketfacil.com.br/eventos/mi-viva-italia.aspx

*Local com capacidade limitada e sujeito à lotação. A programação divulgada pode sofrer alterações.

Comida de Herança 

26 e 27/10, das 10h às 19h | R$ 5

A feira tem a proposta de unir elementos tradicionais e contemporâneos da gastronomia de várias partes do mundo.


O MUSEU DA IMIGRAÇÃO

Sediado no edifício da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás - patrimônio público e importante ícone da história do estado e da cidade de São Paulo - o Museu da Imigração tem o objetivo de compreender e refletir o processo migratório a partir da história das 2,5 milhões de pessoas, de mais de 70 nacionalidades, que passaram pelo prédio entre os anos de 1887 e 1978. A localização da instituição - entre a Mooca e o Brás - privilegia o debate que envolve questões relativas à memória da cidade. No entorno, a herança da grande imigração - que ocorreu no fim do século 19 e início do 20 - convive com os fluxos contemporâneos e com os traços de outras regiões do País.

http://museudaimigracao.org.br
Rua Visconde de Parnaíba, 1316 - São Paulo-SP 
(11) 2692-1866 - [email protected]
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Terça a sábado | das 9h às 17h
Domingo | das 10h às 17h


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