SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Caixas encontradas no litoral nordestino podem ter origem em navio afundado na 2ª Guerra

Desde 2018, centenas de caixas misteriosas começaram a aparecer no litoral do nordeste. Agora, cientistas acreditam que podem ter desvendado a sua origem. De acordo com eles, há indícios de que o material (que são grandes fardos de borracha) tenha vindo de um navio alemão torpedeado por tropas dos Estados Unidos próximo a Recife (PE) durante a Segunda Guerra Mundial.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após a descoberta de uma inscrição que havia em uma das caixas, encontrada em julho deste ano na praia cearense de Itarema. A marcação indica que o material era proveniente da Indochina Francesa. Esse território, situado nos atuais Vietnã, Laos e Camboja, era uma colônia da França, mas durante a Segunda Guerra foi dominado pelos japoneses, que, juntamente com alemães e italianos, compunham o bloco conhecido como Eixo.

“Através dessa marcação [na caixa], fizemos uma pesquisa histórica e conseguimos identificar um cargueiro, chamado Rio Grande, que tinha uma carga de borracha com as inscrições referentes à Indochina Francesa”, afirmou o Professor Carlos Teixeira, um dos responsáveis pela pesquisa. Segundo informações de um banco de dados dos EUA sobre naufrágios no Atlântico Sul durante a Segunda Guerra, esse navio foi afundado em 1944. Os sobreviventes conseguiram sair em pequenos botes, depois desembarcaram em Fortaleza e foram presos na 10ª Região Militar. A embarcação foi encontrada em 1996, a cerca de 5.700 metros de profundidade.

Em uma simulação que levou em conta fatores como direção das correntes marítimas, temperatura, salinidade e ventos, os cientistas verificaram que é plausível que a embarcação seja a fonte das caixas misteriosas que aportaram no nordeste. “É um marco histórico, porque conseguimos identificar a origem dessas caixas”, reforça Teixeira. 

De acordo com os cientistas, também há uma hipótese de que o mesmo navio seja a origem das manchas de óleo que têm chegado a diversas praias do Nordeste, uma vez que elas apresentam rota parecida com a que foi possivelmente percorrida pelas caixas. Porém, outros estudos são necessários para verificar essa possibilidade.


Fontes: Estadão e Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR)/Universidade Federal do Ceará

Imagens :Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR)/Universidade Federal do Ceará