HOMOSSEXUALIDADE

Casal de mulheres enganou a Igreja para poder se casar em 1901

No início do século XX, um casal de mulheres da Espanha elaborou uma estratégia ousada para formalizar sua união homossexual. Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga simplesmente enganaram a Igreja Católica para poder se casar. Para isso, uma delas fingiu ser um homem. Quando foram descobertas, houve um escândalo na sociedade da época.

Marcela e Elisa se apaixonaram na década de 1880, quando estudavam magistério em uma escola de La Coruña. Os pais de Marcela perceberam que o relacionamento das duas ia além da amizade e mandaram a filha para Madri. Anos depois, quando já eram professoras, elas passaram a trabalhar em cidades próximas. Foi quando Elisa resolveu se mudar para a localidade onde Marcela vivia.

Então, em 1901, Elisa cortou os cabelos, adotou um visual masculino e passou a se chamar "Mario". Para isso, ela teve que criar um passado fictício, baseado na vida de um primo que havia morrido em um naufrágio. Alegando que passou a infância em Londres, justificou a falta de certidão de batismo porque seu pai seria ateu. Assim, conseguiu ser batizada como Mario por um padre. O mesmo sacerdote celebrou o matrimônio do casal logo em seguida.

A lua-de-mel não durou muito. Vizinhos desconfiaram do relacionamento e o caso logo chegou à imprensa. Isso fez com que o casal perdesse o emprego e fosse excomungado. Com um mandado de prisão expedido pela polícia espanhola, a dupla acabou sendo presa em Portugal, destino de sua fuga.

O casal acabou extraditado de volta para a Espanha, mas conseguiu fugir para a Argentina. Antes de deixar a cidade do Porto, Marcela deu à luz a uma menina. Em terras argentinas, Elisa voltou a adotar uma identidade feminina, mudando o nome para "Maria". Lá, se casou com Christian Jensen, um dinamarquês 24 anos mais velho que ela. Como ela se recusou a ter relações sexuais com o marido, ele pediu a anulação do matrimônio. 

Depois disso, as informações sobre Marcela e Elisa são escassas. Alguns relatos dizem que Elisa teria se suicidado no México, em 1909. Hoje em dia as duas são vistas como precursoras da luta pela diversidade sexual e a sua história virou filme. O casamento entre pessoas do mesmo sexo passou a ser legal na Espanha em 2005.


Fonte: El País, TelegraphHypeness

Imagem: Domínio público, via Wikimedia Commons