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Chile 2018: um match que não passa do primeiro encontro

Por Thiago Gomide do Tá na História.

Parceria HISTORY e Ta Na História

Sabe aquela figura incrível que posta uma foto linda no Tinder e, ao vivo, não é bem aquilo?

Em 2018, a economia chilena cresceu 4%. O Brasil ficou com 1%.

Olhando a planilha, está tudo certo.

Machado de Assis, e o Ariano Suassuna adorava falar sobre isso, escreveu sobre o Brasil real e o Brasil oficial. Parafraseando, existe o Chile oficial e o Chile real.

O Chile real não acompanha o crescimento de 4%, de 3%, de x%.

O Chile real enfrenta dificuldades enormes no campo econômico.

Se você tem uma vida boa, com uma condição estruturada financeiramente, se coloque no lugar de um perfil:

Você, a partir de agora, é uma mulher com 50 anos. Não tem um emprego fixo há 20 anos. Seu filho, com 16, 17 anos, quer muito entrar na faculdade. Para piorar, ontem, você quebrou a perna.

A educação no Chile é privada. Tem dinheiro, vai em frente. Não tem dinheiro, não tem faculdade.

Sem faculdade, seu filho provavelmente não vai conseguir bons empregos.

Você, por não ter um emprego fixo, não paga uma aposentadoria privada. Seu dinheiro é para  comprar comida, cara, e pagar aluguel, caro.

Se você já ficou desempregado ou conhece alguém que já atravessou esse martírio, sabe que as prioridades mudam e nem sempre se pensa no futuro. O presente é real.

E a perna quebrada? Você vai ao hospital, certo? Certo. Só que é na rede privada. O preço da conta vai chegar. Não tem SUS.

Os remédios, que você não vai poder pagar, são cobrados.

As dívidas só aumentam.

Você paga caro pela eletricidade, inclusive a conta foi aumentada.

Você paga caro pela água, que é privada. Não raramente você tem que escolher se lava roupa ou toma banho.  

Banho ou lavar roupa? O que você prefere?

Você vê seus amigos pouco mais velhos que você, aposentados, olha que beleza, não se darem bem com a previdência privada, que é a única saída.

O salário mínimo é de 301 mil pesos. O valor médio da aposentadoria é 210 mil pesos.

95% das mulheres se aposentam por idade e ganham 55% do salário mínimo.

É estimado que cerca de 50% das mulheres estão como você: distante do sistema formal.

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THIAGO GOMIDE é jornalista e pesquisador. Foi apresentador e editor do Canal Futura e da MultiRio, ambos dedicados à educação. Escreveu e dirigiu o documentário "O Acre em uma mesa de negociação". Além de ser o responsável pelo conteúdo do Tá na História, atualmente edita e apresenta o programa A Rede, na Rádio Roquette Pinto ( 94,1 FM - RJ). 

A proposta do Tá na História é oferecer conteúdos que promovam conhecimento sobre personagens e fatos históricos, principalmente do Brasil. Tudo isso, claro, com bom humor e muita curiosidade.