BIOLOGIA

A ciência explica por que há destros e canhotos

Atualmente, estima-se que aproximadamente 10% da população é formada por canhotos. Ao longo da história, a superstição associou a lateralidade esquerda predominante à maior lentidão, estupidez e, até mesmo, a influências demoníacas. Apesar de esses preconceitos terem ficado para trás,  até recentemente ainda não havia sido descoberta a razão de existirem diferenças entre destros e canhotos.

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Desde os anos 1980, pesquisas indicavam que nossa aptidão pela mão direita ou esquerda seria determinada antes do nascimento.  Exames de ultrassom sugerem que já é possível observar se alguém é destro ou canhoto na oitava semana de gravidez. Inicialmente acreditava-se que a atividade dos genes no cérebro é que determinava essa preferência. Porém, um novo estudo sugere que a resposta pode estar na medula espinhal.

Desenvolvida por cientistas da Ruhr University Bochum, na Alemanha, a pesquisa descobriu que a atividade dos genes na medula espinhal do feto é assimétrica, o que poderia determinar se a pessoa é destra ou canhota.  Essa atividade recém-descoberta acontece bem antes de a parte do cérebro responsável pelos movimentos - o córtex motor - estar conectada com a medula.

Esse comportamento dos genes parece estar centrado em partes da medula responsáveis por transmitir impulsos elétricos para as mãos, braços, pernas e pés. A assimetria desses impulsos definiria se a pessoa será destra ou canhota. Os cientistas descobriram ainda que essa assimetria não é influenciada por traços genéticos, mas por fatores externos que afetam o bebê enquanto ele cresce no útero.  Os pesquisadores não sabem determinar exatamente quais são esses fatores, mas é possível que eles sejam capazes de alterar o modo como as enzimas atuam no desenvolvimento dos bebês, o que muda a forma como os genes se comportam. 

Fonte: IFLScience
Imagem: Jeremy Yap / Unsplash