inteligência artificial

Cientista alerta para os problemas de máquinas com poder de vida e morte sobre humanos

Há milhares de anos, os seres humanos começaram a criar dispositivos para ajudá-los nas tarefas mais básicas da espécie, como caçar, pescar e plantar. Com o tempo, eles desenvolveram máquinas mais complexas e deixaram de fazer tarefas que antes eram corriqueiras. Agora, já existem equipamentos que tomam decisões independentes, sem a intervenção de uma pessoa. E algumas dessas escolhas envolvem questões de vida ou morte.

Cientistas especializados no assunto, como José Ignacio Latorre, um dos físicos quânticos mais renomados do mundo, alertam sobre as consequências de deixar as máquinas tomarem decisões: “O que estamos delegando é ética, é a decisão de optar entre o que consideramos bem e o que consideramos mal”. Ele usa como exemplo a questão dos carros autônomos. Caso um veículo desses se depare com uma situação inevitável de atropelamento, tendo que decidir se acerta uma criança ou um adulto de 50 anos, o que ele faz? Para que a escolha seja feita, é preciso de um programador. "E já existem pessoas que estão fazendo isso. Já existem máquinas programadas para decidir sobre a vida e a morte dos seres humanos", constata o cientista.

No caso acima, alguém poderia responder que a escolha mais sensata seria poupar a criança. Mas e quando a situação é mais complexa? Latorre propõe um cenário no qual o carro vai bater e tem um homem de 20 anos à esquerda e um de 50 anos à direita. Usando um sistema de reconhecimento facial, o veículo sabe que o jovem é um criminoso e que a pessoa mais velha é importante para a comunidade. "O que a inteligência artificial fará? Quem ela escolhe? De repente, talvez não devamos mais matar o velho, mas o jovem", provoca Latorre. "Isso é só um aperitivo mostrando que programar essas máquinas não é nada, nada simples", completa.

Latorre, no entanto, não vislumbra um cenário completamente pessimista, nem acredita que a inteligência artificial seja algo negativo, ou que vá se voltar contra os humanos. Pelo contrário, ele garante que ela pode ser muito positiva para a humanidade, mas enfatiza que o ser humano deverá assumir a tarefa de programar ética artificial nas máquinas, de modo que suas decisões sejam sempre em benefício humano.


Fonte: BBC 

Imagem: Shutterstock.com