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Cientistas descobrem duas estrelas invisíveis ao observar fenômeno previsto por Einstein

Por History Channel Brasil em 13 de Fevereiro de 2020 às 20:05 HS
Cientistas descobrem duas estrelas invisíveis ao observar fenômeno previsto por Einstein-0

Astrônomos da Agência Espacial Europeia (ESA) ficaram intrigados ao observar que a estrela Gaia16aye, que fica na constelação de Cygnus, apresentava um comportamento incomum. De forma estranha, ela brilhava fortemente para em seguida quase apagar. Após a repetição constante desse fenômeno, os cientistas passaram a acreditar que algum objeto indetectável próximo dela estaria distorcendo o espaço-tempo, aumentando e diminuindo sua luminosidade estelar.

Mas qual seria a natureza do objeto capaz de provocar tamanha distorção? Ao tentar desvendar esse mistério, os cientistas descobriram um sistema binário formado por duas estrelas anãs vermelhas praticamente invisíveis. Orbitando um mesmo centro gravitacional, essas estrelas emitem um brilho tão fraco que não é possível enxergá-las da Terra. Mesmo assim, os pesquisadores conseguiram determinar algumas de sua características, como massa, distância e órbita, ao observar seus efeitos sobre a Gaia16aye.

O fenômeno que produz essa distorção é conhecido como "microlente gravitacional". Previsto por Albert Einstein na teoria da relatividade, ele é gerado pela deformação do espaço-tempo que ocorre nas proximidades de objetos massivos (como estrelas ou buracos negros). No caso observado pelos cientistas, a distorção provocada pelo sistema binário composto pelas estrelas "invisíveis" ampliou a luz emitida por uma fonte mais distante, situada atrás da estrela Gaia16aye, produzindo um efeito de lente de aumento. 

Os cientistas acreditam que a descoberta dessas estrelas a partir do fenômeno da microlente gravitacional poderá ajudar na detecção de outros objetos "invisíveis" no espaço distante, como buracos negros. "Eventos de microlentes como esse podem lançar luz sobre objetos celestes que, de outra forma, não poderíamos ver", disse Timo Prusti, cientista da ESA.


Fonte: Live Science e ESA

Imagem: M. Rębisz/ESA/Reprodução