ASTROFÍSICA

Cientistas descobrem objetos que se movem "muito mais rápido que a luz"

Durante décadas, muitos astrônomos têm observado um tipo de material ejetado pelo buraco negro supermassivo do centro da galáxia Messier 87, que se encontra a aproximadamente 55 milhões de anos luz da Terra. Esses jatos movem-se no espaço a uma velocidade inimaginável. Agora o pesquisador Ralph Kraft, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, junto à sua equipe, conseguiu calcular a velocidade desse movimento graças às observações em raios X do telescópio orbital Chandra. 

Buracos negros como o do centro da galáxia Messier 87 (batizado de M87*) ejetam jatos em forma de aglomerados ou nós. O resultado do cálculo da velocidade de dois desses nós deixou os especialistas abismados, já que o primeiro nó parece estar viajando a uma velocidade 6,3 vezes maior que a da luz, e o segundo, a 2,4 vezes. Os resultados desse estudo são tão extraordinários que os astrofísicos se mostram muito cautelosos a respeito, já que uma das leis inalteráveis da física é a de que nada pode mover-se mais rápido que a velocidade da luz.

Então, o que pode estar acontecendo? O fenômeno é chamado de “movimento superluminal”. Para analisá-lo, é necessário levar em consideração a velocidade do objeto e seu caminho em relação à nossa linha de visão. Quando um objeto está se movendo próximo da velocidade da luz e perto da nossa linha de visão, cria-se uma ilusão chamada movimento superluminal. Isso ocorre porque o próprio jato de material está viajando quase tão rápido quanto a luz gerada por ele. Como o jato do M87* está apontando quase diretamente para a Terra, ele resulta nessas aparentes velocidades impossíveis.

Mesmo que o material ejetado do M87* não esteja violando as leis da física, a velocidade atingida por ele é impressionante. De acordo com os pesquisadores, os jatos chegam a 99% da velocidade da luz. "Nosso trabalho fornece as evidências mais fortes de que as partículas no jato da M87* estão realmente viajando perto do limite de velocidade cósmica", disse Brad Snios, coautor do estudo e cientista do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Em 2019, o M87* estampou as manchetes por ter sido o primeiro buraco negro a ser fotografado.  


Fonte: Science Alert

Imagens: Shutterstock.com e NASA/CXC/SAO/B. Snios et al/Divulgação