ESPAÇO

Cientistas detectam a maior explosão registrada no universo desde o Big Bang

Uma equipe de cientistas observou evidências da maior explosão acontecida no universo desde o Big Bang. Eles acreditam que a enorme quantidade de energia liberada tenha sido originada por um buraco negro supermassivo em um aglomerado de galáxias denominado Ofiúco, localizado a cerca de 390 milhões de anos-luz da Terra. Estima-se que a explosão tenha liberado cinco vezes mais energia do que qualquer outro fenômeno semelhante observado anteriormente.

Há algum tempo os cientistas acreditavam que havia algo de errado em Ofiúco, um aglomerado gigante de galáxias misturadas com gás quente e matéria escura, unidas pela gravidade. Durante as observações, os cientistas haviam detectado uma borda curvada que chamava a atenção ao redor de Ofiúco. Em um primeiro momento, eles especularam que poderia se tratar da parede de uma cavidade gerada por um buraco negro de dimensões nunca antes vistas em uma das galáxias centrais. Durante as observações seguintes, com radiotelescópios de baixa frequência, foi descoberto que a curvatura realmente tratava-se de uma cavidade cheia de radioplasma, confirmando assim a teoria do buraco negro. 

De acordo com os pesquisadores, essa explosão supera em cinco vezes a registrada em outro aglomerado de galáxias conhecido como “MS 0735+4”, detentora do "recorde" anterior de liberação de energia. Para descrever a explosão em termos humanos, a doutora Simona Giacintucci, do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, líder do estudo, comparou o evento à erupção do vulcão Santa Helena, nos Estados Unidos, que reduziu a elevação do cume de sua montanha de 2950 m para 2549 m e o substituiu por uma cratera de 1,6 km de largura em forma de ferradura. "A diferença é que você pode colocar uma fileira de 15 galáxias como a Via Láctea na cratera", disse ela.

Melanie Johnston-Hollitt, coautora do estudo, ajuda a explicar a magnitude do evento. "Para dar uma outra dimensão; (a cavidade) tem cerca de um milhão e meio de anos-luz de diâmetro. Portanto, o buraco criado no espaço circundante do plasma quente de raios-X levaria um milhão e meio de anos para ser atravessado", afirmou. Acredita-se que a explosão gigantesca já tenha chegado ao fim. Agora, de acordo com a equipe de pesquisa, são necessárias mais observações para entender melhor o que ocorreu.


Fontes: BBC e Deutsche Welle

Imagem: Shutterstock.com