EDUCAÇÃO

Como regimes autoritários interferiram nas universidades ao longo da história

A educação é sempre um dos principais alvos de governos autoritários. Regimes ditatoriais procuram controlar especialmente as universidades, focos de pensamento crítico. Em todos os lugares de mundo onde já houve falta de liberdade política há exemplos de dirigismo e interferência governamental na administração do ensino superior.

Na Alemanha do Terceiro Reich, os currículos das universidades eram controlados rigidamente para que se enquadrassem nos princípios nazistas. Todos os reitores dessas instituições eram membros de confiança do partido de Adolf Hitler. Eugen Fischer, um veterinário que assumiu o comando da Universidade de Berlim, implementou 25 cursos relacionados à "ciência racial", cujo objetivo era validar as teorias de supremacia ariana.

Durante a ditadura militar brasileira, o governo também interferiu nas universidades. No período, era comum a substituição de reitores, indicados de acordo com os interesses do regime. Para ampliar a máquina de vigilância e repressão, os militares criaram em 1969 as Assessorias de Segurança e Informação (ASI), que funcionavam no interior das instituições de ensino superior. As ASI selecionavam politicamente as contratações de funcionários, as concessões de bolsa e as autorizações para estágios no exterior. A época foi marcada por perseguições e expurgos de professores.

A China tem um longo histórico de interferência na educação. A Revolução Cultural conclamada por Mao Tsé-Tung em 1966 fechou universidades por mais de uma década e perseguiu intelectuais. Na época, o movimento impulsionado pelo líder perseguiu dissidentes e a oposição, inclusive nas instituições de ensino superior. Estudantes eram estimulados a delatar professores "subversivos".

Por ordens de Mao, foi criada a Guarda Vermelha,formada por pessoas que foram doutrinadas a denunciar professores e familiares que apresentassem opiniões típicas de “burgueses” ou “ocidentais”.  Milhões de pessoas foram mandadas para os chamados "campos de reeducação", onde eram submetidas a trabalhos forçados, além de passar por um curso de formação política. Após o fim da Revolução Cultural, houve uma abertura nas universidades, mas recentemente ressurgiram os chamados "alunos-informantes" que vigiam professores dissidentes.


Fontes: History Learning Site, Memórias da Ditadura, Brasil Escola e Estadão

Imagem: UFPA/Reprodução