DOENÇAS

Conheça a história da menina que nasceu sem sangue

Muitas vezes, a natureza propõe à ciência situações quase incompreensíveis. Esse é o caso de Maisy Vignes, a menina irlandesa que nasceu sem sangue. "Foi uma situação incrível. Nenhum dos médicos jamais tinha ouvido falar de algum caso semelhante. Já houve bebês que nasceram com quantidades pequenas de sangue, mas nunca com o nível de hemoglobina zero”, relatou Emma Vignes, a mãe da menina, ao jornal britânico The Telegraph, em 2014. Diante desse cenário, a expectativa dos médicos em relação à sobrevivência da menina era tão baixa quanto seus níveis de sangue.

As primeiras suspeitas da mãe em relação à saúde do bebê começaram na gravidez. Emma, de 31 anos, se dirigiu à clínica na trigésima quarta semana de gestação, pois não sentia o bebê se mexer em nenhum momento. Ao chegar lá, os médicos de plantão a encaminharam para uma cesariana de urgência. Após nascer, Maisy foi levada para a CTI. Foi então que comunicaram à mãe a notícia estranha e aterradora de que Maisy possuía apenas uma pequena substância plasmática em seu corpo – nada de sangue. E como não conseguiam encontrar suas veias, ela recebeu as primeiras transfusões através do cordão umbilical. Sua cor, de uma palidez fantasmagórica, surpreendeu seu pai ao ver a menina na incubadora. 

Com o passar dos dias, no entanto, os sinais vitais da pequena Maisy foram melhorando. Os médicos explicaram a Emma que, no momento da gravidez, todo o sangue do bebê havia sido absorvido por ela – algo que pode acontecer em casos de acidente, mas, raramente, sem nenhuma razão.

Passado algum tempo, seus pais puderam levá-la para casa, porém com medo de que tivesse sofrido, como advertiram os médicos, um dano com sequelas irreparáveis por conta da falta de oxigênio no cérebro. O medo só começou a desaparecer quando, aos 15 meses de vida, Maisy pronunciou sua primeira palavra: papai. Isso foi um grande alívio, pois mostrou que seu desenvolvimento estava dentro dos parâmetros normais. Quatro anos depois, Maisy, a menina que nasceu sem sangue, começou a frequentar a escola em sua cidade, Waterford, como qualquer criança de sua faixa etária, e passou a levar uma vida normal. 

Em 2019, seus pais disseram que o sonho da menina é se tornar instrutora de jiu-jitsu, arte marcial que ela adora praticar. Trata-se de um caso extraordinário, próximo a um milagre, mas que necessitou da capacidade médica dos profissionais que a trataram em um primeiro momento, e que se tornou objeto de estudo de pesquisadores do mundo todo.


Fonte e imagem: TelegraphEl Heraldo