GENÉTICA

Descoberta de gene que forma o rosto indica que humanos se ”autodomesticaram”

Um grupo de cientistas que realizava um estudo de duas doenças genéticas, variantes da síndrome Williams-Beuren, descobriu o gene encarregado de desenhar o rosto humano, suas expressões e seus comportamentos sociais. Ele se chama BAZ1B. Os pesquisadores pertencem ao Instituto Europeu de Oncologia e às universidades de Milão, Barcelona, Cantábria, Colônia e Heidelberg.

Os especialistas estudaram como as células-tronco presentes em pessoas com essas doenças faziam com que seus rostos fossem menores e apresentassem reações menos agressivas, assim como acontece com as espécies domesticadas de animais selvagens. Foi assim que eles identificaram a participação do gene BAZ1B na formação da face. Segundo Giuseppe Testa, coordenador da pesquisa,  ao comparar o DNA de nossos antepassados arcaicos, descobriu-se que as variantes genéticas e anatômicas que os distinguem dos humanos modernos são resultado do processo de “autodomesticação” humana.

Os animais domésticos são nitidamente diferentes de seus parentes selvagens. Por exemplo, os rostos dos cães são relativamente curtos em comparação com os dos lobos. Os bichos de estimação também tendem a ser mais sociáveis com os seres humanos.

Assim, os rostos humanos parecem igualmente "domesticados" em comparação a outras espécies de hominídeos, como os neandertais. Nossos rostos são mais lisos e harmoniosos, por exemplo. Como resultado, alguns cientistas suspeitam que antes de domesticarmos cães, gatos e bovinos, primeiro domesticamos a nós mesmos. Essa conclusão abre as portas para um novo campo de estudo, que se baseia nas doenças genéticas para entender a história da evolução.


 Fonte: New Scientist

Imagem: Shutterstock.com