CRISE HÍDRICA

Desmatamento para plantio de café causou seca no Rio de Janeiro

A ocorrência de desmatamentos é algo constante na história do Brasil. No século XIX, por exemplo, a prática de derrubar florestas para abrir terrenos destinados à plantação foi extremamente prejudicial para o Rio de Janeiro. Naquele tempo, vastas áreas verdes foram ao chão para dar lugar ao cultivo de café. A falta de árvores acabou afetando gravemente o abastecimento de água na cidade.

Com o mercado do café em alta, plantações surgiram em várias localidades do Rio de Janeiro, como a Tijuca. A produção cafeeira costumava ocupar terras onde antes florescia o verde. Segundo relatos da época a fuligem das queimadas provocadas para "limpar terreno" era tanta que o sol chegava a ficar encoberto durante o dia. 

A combinação do desmatamento com o aumento da população e falta de infraestrutura resultou na constante falta de água. A falta das árvores contribui de forma decisiva para essa situação. Sem elas, a chuva cai com muita força nas encostas. Assim, a água escorre morro abaixo sem infiltrar a terra, prejudicando as nascentes de rios. 

A escassez hídrica se agravava nos períodos de estiagem, pois a cidade contava com um sistema precário de distribuição de água. A situação contribuía para a proliferação de doenças e para o surgimento de um mercado paralelo de água com preços inflacionados. O governo chegou até a colocar policiais para proteger chafarizes. Quem possuía fontes de água em propriedades particulares foi convocado a liberar o acesso para a população.

Aos poucos, o desmatamento foi apontado como a causa para o desabastecimento de água. Assim, providências começaram a ser tomadas para tentar solucionar o problema. As queimadas tinham destruído boa parte da mata da Tijuca, assim surgiu a ideia de reflorestar a região. A partir de 1861, durante décadas foram replantadas mais de 100 mil árvores. Foi o maior esforço de recuperação de floresta tropical no mundo até então.


Fonte: BBC Brasil

Imagens: George Leuzinger, Marc Ferrez e José dos Reis Carvalho, via Biblioteca Nacional Digital