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Fóssil revela como as baleias de quatro patas chegaram à América do Sul

Em 2011, na costa sul peruana, o paleontólogo Mario Urbina encontrou o fóssil de uma baleia anfíbia, cuja espécie foi denominada Peregocetus pacificus. A análise dos restos mortais, o único registro conhecido de uma baleia quadrúpede na América do Sul, joga luz sobre a evolução desses animais desde o momento exato em que elas apareceram, há mais de 50 milhões de anos.

Segundo especialistas, a datação mais antiga de cetáceos remonta à Índia e ao Paquistão. Esses antigos fósseis revelam que os antepassados das baleias apresentavam porte pequeno (semelhante a um cão) e má adaptação ao ambiente aquático. A partir dessa espécie original, algumas primeiras linhagens adaptadas à água surgiram. De acordo com os cientistas, os animais mantiveram suas patas enquanto se dispersavam para a África e de lá para o continente americano.

Há mais de 40 milhões de anos, a América do Sul fazia parte de uma ilha-continente desprovida de qualquer conexão terrestre com outros continentes, por isso só era acessível através do Oceano Atlântico. Esse fato chamou a atenção de cientistas, que se perguntam como um animal que ainda dependia da terra e das regiões costeiras poderia atravessar o mar aberto.

De acordo com os cientistas, as baleias quadrúpedes provavelmente tinham dedos compridos ligados por membranas, o que significa que se moviam como as lontras. Essa característica facilitava o nado, ajudando-as a cruzar o Oceano Atlântico de modo eficiente. Hoje, uma baleia daquelas teria que nadar um longo caminho para migrar, mas naquela época a distância entre a África e a América do Sul era duas vezes menor e as correntes marítimas eram mais fortes. Da América do Sul, esses animais provavelmente migraram para a América do Norte. Os cientistas acreditam que as baleias levaram cerca de 12 milhões de anos para se tornarem animais completamente marinhos. 


Fontes: BBC e CNN

Imagens: Alberto Gennari/Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris/Institut Royal des Sciences Naturelles de Belgique/National History Museum of Lima/University of Pisa/University of Camerino/Reprodução