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Genocídio em jogos de tabuleiro: os brinquedos usados para doutrinar crianças no nazismo

Depois que os nazistas tomaram o poder na Alemanha, em 1933, a ideologia começou a tomar conta de praticamente todos os aspectos da sociedade daquele país. O estado totalitário liderado por Adolf Hitler tinha a pretensão de controlar as pessoas de forma completa. Na época, surgiram até mesmo brinquedos infantis e jogos inspirados nos preceitos do Terceiro Reich. 

Um jogo de tabuleiro antissemita chamado Juden raus! (Fora, Judeus!) chegou a ser comercializado naquele período. Nele, os  jogadores assumiam o papel de policiais nazistas. Usando dados e peões, eles tinham como missão invadir propriedades da comunidade judaica e prender seus seus donos em um "campo de coleta". O objetivo final era expulsar os judeus para a Palestina. Estima-se que tenham sido vendidas um milhão de cópias do jogo. O jogo era propagado como "divertido, instrutivo e solidamente desenvolvido".

O historiador André Postert, do Instituto Hannah Arendt, em Dresden, na Alemanha, escreveu um livro sobre o assunto. Segundo ele, havia muitos jogos com símbolos nazistas para crianças e adultos. Postert contou em entrevista à BBC que esses produtos eram anunciados como sendo "educativos", pois serviam para ensinar e propagar os ideais do regime.  

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Entre outros brinquedos políticos da época estavam soldadinhos e bonecos que representavam Hitler e sua comitiva. Apesar do aspecto totalitário, o governo não estava diretamente por trás dessas iniciativas: as indústrias criavam os produtos porque havia demanda para eles. Inclusive, alguns jogos eram desaprovados pelo regime, como o próprio Juden raus!, criticado por "trivializar" a questão dos judeus. 

Em determinado momento, os nazistas criaram uma lei que padronizava os seus símbolos. A partir daí, os brinquedos passaram a ser vistoriados antes de serem comercializados.  Após o fim da Segunda Guerra Mundial, poucos desses produtos foram conservados. Apenas instituições que preservam a memória do Holocausto guardam essas relíquias macabras. 

Mais artefatos de propaganda antissemita podem ser vistos no site do Yad Vashem.


Imagem: J-E Nyström, via Wikimedia Commons

 


Fonte: BBC Brasil

Imagem principal: quinet, via Flickr (CC BY 2.0)