CIENCIA

Japoneses criam roupa super-resistente feita de teia de aranha

O lenço de seda e o colete da imagem acima são, definitivamente, muito mais do que duas peças bonitas de roupa. O grande diferencial está muito além do que os nossos olhos podem detectar: estas roupas são feitas com seda de aranha superforte e transgênica. Ou seja, pela primeira vez, este tipo de material é usado em uma roupa que, além de funcional, também pode ter boa aparência!

As roupas foram tecidas por bichos-da-seda que receberam um gene de aranha. Na verdade, trata-se de uma mistura de proteínas de aranha e de bicho-da-seda, que sai das fiandeiras da boca destes últimos. O material híbrido resultante é composto de menos de 1% de proteína de aranha, mas é 53% mais resistente que a seda normal, de acordo com a equipe de pesquisa, cinco cientistas do Instituto Nacional de Ciências Agroecológicas e da Universidade Shinshu do Japão. O estudo foi publicado na última semana, na revista PLoS ONE.

Os cientistas sabem há muito tempo as proteínas da seda da aranha são excepcionalmente fortes. Sabe-se também que o material produzido pelas aranhas para traçar suas teias é cinco vezes mais forte do que um fio de aço do mesmo tamanho. Por conta disso, os pesquisadores consideram usar a seda da aranha para tudo, de fio cirúrgico a colete à prova de balas. Certamente, não há nenhuma razão para se fazer uma roupa bonita com esse tipo de material, mas os pesquisadores japoneses quiseram demonstrar que poderiam “colher” o material e usá-lo nas mesmas máquinas que são usadas em fábricas de seda.

A razão para se usar bichos-da-seda no lugar de aranhas fica por conta do fato de que é muito complicado criar estes últimos em cativeiro. Por outro lado, os bichos-da-seda estão domesticados há milhares de anos. Eles produzem grandes casulos de seda e eles são fáceis de criar em ambientes fechados. Nos últimos anos, uma série de laboratórios criou bichos-da-seda geneticamente modificados que produzem, parcialmente, a seda da aranha. No entanto, esta é a primeira vez que vimos alguém produzir e colher material suficiente ao ponto de aplicar em algo usável. Quem sabe, a próxima etapa, será estudar uma produção em larga escala desse material para fins comerciais.

Fontes:

Popular Science , PLoS ONE