RELIGIÃO

Manuscritos do Mar Morto comprados por preço milionário por museu evangélico são falsos

Entre 2009 e 2014, 16 fragmentos de manuscritos do Mar Morto foram adquiridos por um preço milionário pela família Green, evangélicos fundadores do Museu da Bíblia, em Washington, nos Estados Unidos. Há algum tempo, a autenticidade desses supostos textos históricos já havia sido questionada. Agora, após uma série de análises, um grupo de especialistas concluiu que todos os fragmentos pertencentes ao acervo da instituição são falsos.

Em 2018, cinco dos fragmentos já haviam sido testados por uma equipe alemã, ficando comprovado que eram fraudulentos. No ano seguinte, o Museu da Bíblia decidiu investigar o restante de seu acervo. Durante seis meses, especialistas em falsificações artísticas se debruçaram sobre o material. "Após uma inspeção exaustiva e análises científicas, ficou evidente que nenhum dos fragmentos de texto da coleção dos Manuscritos do Mar Morto da Museu da Bíblia é autêntico", afirmou Colette Loll, fundadora e diretora da Art Fraud Insight, grupo responsável pela análise. 

De acordo com Loll, os testes sugerem que os fragmentos são falsificações produzidas no século XX. Para enganar os compradores, os falsificadores provavelmente produziram o material usando couro de sapatos da época da Roma Antiga para imitar a textura dos pergaminhos originais. Além disso, eles tentaram recriar o estilo de escrita dos antigos hebreus responsáveis pelos registros dos Manuscritos do Mar Morto.

Apesar da descoberta que desvaloriza seu acervo, a diretoria do Museu da Bíblia acredita que a revelação da fraude é positiva. "Os métodos sofisticados e caros empregados para descobrir a verdade sobre nossa coleção podem ser usados para lançar luz sobre outros fragmentos suspeitos e talvez até mesmo serem eficazes para descobrir os responsáveis por essas falsificações", disse Jeffrey Kloha, curador-chefe da instituição.

A descoberta dos verdadeiros Manuscritos do Mar Morto foi uma das mais importantes conquistas da arqueologia no século XX. Os fragmentos foram encontrados em 12 cavernas localizadas entre Israel e a Palestina no final da década de 1940. Trata-se de uma coleção de documentos que inclui os textos bíblicos mais antigos conhecidos, datando de dois mil anos atrás.  


Fontes: Newsweek, CNN e BBC

Imagens: Museu da Bíblia/Art Fraud Insight/Reprodução