NAZISMO

A menina judia que conseguiu escapar dos nazistas com a ajuda de um médico nos Alpes

Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 75 mil judeus franceses foram deportados para campos de concentração, onde encontraram a morte. A França foi um país dividido durante a guerra, e assim como muitos militares e civis apoiaram a ocupação nazista, também surgiram grupos de resistência, que lutavam contra os alemães em todo o país, e salvaram as vidas de milhares de pessoas. 

Uma das pessoas salvas foi Huguette Müller, que com somente 15 anos de idade, escapou dos nazismo em Lyon e se refugiou em um pequeno povoado dos Alpes chamado Val d'Isère, em 1943. Lá, ela foi morar com a irmã, Marion, de 23 anos. Edith, mãe das duas, havia sido presa pelos nazistas ao tentar providenciar documentos falsos para as filhas. Levada para Auschwitz, morreu em uma câmara de gás.

Val d'Isère também não era um lugar muito seguro para judeus. Soldados nazistas transferidos da frente russa estavam hospedados em um hotel da localidade. Eles perseguiam e puniam quem se recusava a trabalhar para os alemães. A população local se referia à ocupação como "o terror".

Pouco antes do Natal de 1943, Huguette sofreu um acidente e quebrou uma perna, o que a obrigaria a ir a uma cidade maior para ser tratada, colocando sua segurança em risco. O primeiro especialista que a atendeu alertou que se ela não não tivesse um tratamento adequado, poderia ficar com uma perna menor do que a outra. Huguette, no entanto, se negou, já que era melhor “mancar do que morrer”.

Foi assim que o Dr. Frédéric Pétri, que a atendeu no povoado, se ofereceu a escondê-la em sua casa, junto a sua família, enquanto a SS revistava cada canto do vilarejo. Huguette permaneceu escondida durante seis meses na casa do Dr. Pétri, que, um tempo depois, também salvou um soldado britânico de morrer congelado. Ao atender essas pessoas, o médico colocava em risco a própria vida e a segurança de sua família.

Após o fim da Segunda Guerra, Huguette foi para San Francisco, nos Estados Unidos, encontrar seu pai, que havia conseguido escapar dos nazistas. Anos depois de ter sido salva, em 1970, Huguette voltou a Val d'Isère para tentar reencontrar seu herói. Infelizmente o Dr. Frédéric Pétri já havia morrido. Sua filha disse que ele nunca mencionou seu ato de heroísmo para ninguém. Hoje, a rua em que ficava sua casa tem o seu nome, em reconhecimento aos seus trabalhos humanitários. Aos 92 anos, Huguette ainda vive em San Francisco.

 


Fonte: BBC 

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