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Mudanças climáticas podem colocar em risco a existência do sexo masculino, diz estudo

A mudança climática do planeta é fonte constante de preocupação para a humanidade. Um estudo de 2014, realizado por pesquisadores do Instituto de Saúde M&K, de Ako, no Japão, já apontava que o problema pode estar até mesmo afetando fetos do sexo masculino. Recentemente, uma nova pesquisa feita pelos mesmo autores sugere que o estresse decorrente de eventos climáticos extremos realmente influi na redução do nascimento de meninos.

De acordo com o estudo japonês, quando acontece uma variação incomum da temperatura, há um aumento na morte de fetos masculinos em relação à morte de fetos femininos. A respeito disso, o médico Misao Fukuda, responsável pela pesquisa, disse que a temperatura anual, no Japão, mudou significativamente desde a década de 70. Dessa forma, afirmou que, ao longo desse período de tempo, nasceram cada vez menos homens, em proporção às mulheres.

Os pesquisadores focaram em dois eventos meteorológicos extremos para poder realizar uma análise detalhada sobre as taxas natais: o forte verão de 2010 e o atípico inverno rigoroso de 2011. Com base nas temperaturas registradas pela Agência Meteorológica do Japão, foram comparados os dados com os números de abortos naturais das Estatísticas Vitais do Japão. Os resultados mostraram que, no verão em questão, houve um sensível aumento no número de abortos naturais e, nove meses depois, o nascimento de meninos diminuiu em relação ao nascimento de meninas. O mesmo pôde ser comprovado no que concerne o aumento de mortes fetais e diminuição do nascimento de meninos no inverno de 2011. 

Agora, Fukuda e seus colegas publicaram um outro estudo, analisando nascimentos em áreas atingidas por eventos ambientais que provocaram estresse extremo. Eles incluíram a região de Hyogo após o terremoto de Kobe em 1995; Tohoku após o grande terremoto e o tsunami de 2011 (que provocou o desastre nuclear na usina de Fukushima); e Kumamoto após os terremotos de 2016. Nove meses após esses desastres, a proporção de bebês do sexo masculino nascidos nessas áreas caiu entre 6% e 14% em relação ao ano anterior. Esses dados corroboram a ideia de que o estresse maior afeta a gestação, o que, por sua vez, altera a proporção sexual dos recém-nascidos, escreveram os pesquisadores.

Segundo Fukuda, o estresse decorrente diretamente de "eventos climáticos causados pelo aquecimento global" também pode afetar a proporção de nascimento entre os sexos. Embora os cientistas não saibam exatamente como isso afeta a gestação, Fukuda teoriza que a vulnerabilidade dos espermatozoides portadores do cromossomo Y, embriões masculinos e fetos masculinos ao estresse é o motivo pelo qual ocorrem mudanças sutis e significativas nas proporções de nascimentos de meninos e meninas.


Fonte: CNN

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