IMPÉRIO ROMANO

Novo estudo encontra padrão estatístico nos assassinatos de imperadores romanos

Um novo estudo constata que ser imperador romano era uma atividade extremamente perigosa. De 14 d.C. até 395 d.C., 43 dos 69 governantes romanos (62%) tiveram mortes violentas, o que significa que eles foram mortos em batalha ou pelas mãos de assassinos. Segundo os pesquisadores, um gladiador tinha mais chances de sobreviver a uma luta na arena do que um imperador morrer de forma pacífica ou de causas naturais.

O estudo foi liderado por Joseph Saleh, um professor especialista em engenharia aeroespacial do Centro de Tecnologia e Pesquisa Espacial da Georgia Tech em Atlanta, nos Estados Unidos. Fascinado pela história de Roma, ele queria saber se seria possível usar os mesmos modelos estatísticos aplicados em sua área tecnológica para calcular os riscos inerentes da atividade de imperador romano.

A análise de Saleh apontou que as chances de sobrevivência de um imperador romano eram equivalentes às de alguém fazendo roleta russa com quatro balas no revólver, em vez de apenas uma. O pesquisador usou um método estatístico utilizado por engenheiros para determinar o ciclo de vida de um produto. Muitos equipamentos, quando analisados dessa maneira, apresentam um padrão conhecido como "curva da banheira". Esse modelo aponta que que um produto novo apresenta muitos defeitos quando entra no mercado pela primeira vez. Em seguida, os defeitos diminuem por um tempo. Depois que o produto resiste por um período longo, os defeitos voltam a aumentar devido a desgastes naturais. 

Saleh  percebeu que o tempo de reinado dos imperadores romanos apresentava um modelo parecido. Assim, os césares tinham grandes chances de morrer de forma trágica logo no seu primeiro ano no poder. Mas o risco diminuía durante os sete anos seguintes e se estabilizava entre o oitavo e o décimo segundo ano. Depois disso, as probabilidades de uma morte violenta voltavam a aumentar. 

Por exemplo, o imperador Geta morreu no primeiro ano de seu reinado. Já Caracala morreu durante seu sétimo ano no poder, enquanto Cômodo foi assassinado no seu décimo sexto ano como imperador. Como produtos que apresentam defeito cedo, os imperadores que morreram nos primeiros anos de seu reinado demonstraram "falhas de projeto" fatais, diz Saleh. Ele afirma ainda que os imperadores que morreram após 12 anos no poder eram mais semelhantes a equipamentos que sofrem de "falhas de desgaste", ou seja, eram vulneráveis a mudanças sociais, ao surgimento de novos inimigos ou a novos ataques de adversários.

"É interessante que um processo aparentemente aleatório e perigoso quanto a morte violenta de um imperador romano  parece ter uma estrutura sistemática que pode ser bem capturada por um modelo estatístico amplamente usado em engenharia. Embora esses eventos possam parecer aleatórios quando analisados singularmente, os resultados indicam que havia processos ocultos que envolviam a extensão de cada reinado até a morte", disse Saleh.


Fonte: Live Science

Imagem: Assassinato de Cômodo (Domínio Público)