ASTROFÍSICA

O que são buracos de minhoca de Einstein-Rosen?

Em 1915, Albert Einstein publicou sua teoria geral da relatividade. Mas também ficou preocupado com um dilema que encontrou em seu argumento. Nessa época, acreditava-se que os buracos negros não existiam e que eram apenas uma possibilidade matemática. No centro do buraco negro, alcançava-se a singularidade, ponto em que toda matéria se comprime a zero, ou seja, alcança a densidade infinita.

Por não estar satisfeito com a hipótese da existência de um ponto no qual a matéria seja igual a zero, Einstein, junto ao físico nascido nos EUA e naturalizado israelense Nathan Rosen, publicou um outro artigo. A nova teoria sugeria que, se os cálculos fossem um pouco mudados, essa singularidade se transformaria em uma ponte que levaria do centro do buraco negro a outro lugar, que poderia ser um outro buraco negro ou mesmo um buraco branco. Assim nasceu a ponte de Einstein-Rosen, mais conhecida como “buracos de minhoca”. A ideia era que tudo o que caísse em um buraco negro, inclusive a luz, seria expulso em outro extremo, que seria um buraco branco.  

Segundo essa teoria, publicada pela dupla de cientistas em 1935, os buracos de minhoca funcionariam como "pontes" através do espaço-tempo. O problema é que esses buracos de minhoca seriam muito instáveis e entrariaram em colapso de forma extremamente rápida, impedindo a passagem de qualquer coisa por eles.



Mas, na década de 1980, o cientista Kip Thorne elaborou uma teoria que diz respeito a um  "buraco de minhoca transitável", que poderia ser criado artificialmente por algum tipo de civilização avançada. A hipótese de Thorne cogita a possibilidade do surgimento de alguma tecnologia capaz de estabilizar um buraco de minhoca por um tempo suficiente para que algo ou alguém o atravessasse.  Isso dependeria de um hipotético "material exótico antigravitacional" que neutralizaria sua tendência ao colapso.

Thone foi consultor de Carl Sagan quando o renomado astrofísico escrevia o romance de ficção científica "Contato", que narra a história de uma cientista que viaja da Terra até uma estrela distante por meio de um buraco de minhoca. Quando Thorne começou a considerar a probabilidade de que os buracos de minhoca pudessem ser usados para viagens espaciais, ele percebeu que eles também poderiam ser usados para viagens no tempo. Essa teoria inspirou o cineasta Christopher Nolan e seu irmão e roteirista Jonathan a elaborar o filme "Interestelar". O cientista também atuou como consultor e produtor-executivo da obra, que trata dessa possibilidade.

Mas, apesar da teoria do buraco de minhoca transitável ser fascinante, a viagem por esse "atalho" para atravessar o espaço-tempo parece ser algo fora do alcance da ciência na vida real. "Há indícios muito fortes de que as leis da física proíbam buracos de minhoca pelos quais um humano poderia viajar. É triste, é lamentável, mas é nessa direção que as coisas estão apontando", disse o próprio Thorne em 2014.  


Fontes: BBC, Quanta Magazine e Space.com

Imagens: Shutterstock.com