RACISMO

Os Beatles se recusaram a tocar para públicos segregados nos EUA nos anos 1960

A segregação racial acabou de forma oficial nos Estados Unidos com a promulgação da Lei dos Direitos Civis, que entrou em vigor em 2 de julho de 1964. Apesar disso, na prática, a discriminação continuou a existir. O decreto proibia separar brancos e negros em lugares públicos, mas alguns estabelecimentos do sul do país ignoraram a medida, o que quase causou o cancelamento de um show dos Beatles na Flórida.

No primeiro ano em que excursionaram pelos Estados Unidos, os Beatles tinham um show marcado em Jacksonville no dia 11 de setembro de 1964. Quando descobriram que a plateia seria segregada, os músicos ingleses se revoltaram. Cinco dias antes da apresentação, a banda publicou uma nota oficial que dizia: "não vamos tocar, a menos que os negros possam ficar em qualquer lugar".

"Nós nunca tocamos para públicos segregados e não vai ser agora que iremos começar", disse John Lennon na época. A banda idolatrava artistas negros como Chuck Berry e Little Richard e não podia concordar com práticas racistas. A pressão dos Beatles para que o show fosse integrado surtiu efeito e a apresentação aconteceu sem incidentes.

Na turnê seguinte que fizeram nos Estados Unidos, em 1965, os Beatles incluíram uma cláusula em seu contrato especificando que a banda não tocaria para públicos segregados. "Nós sempre fomos contra o preconceito", disse Paul McCartney em 1966. "Sempre gostamos de plateias integradas. Essa é a nossa atitude, compartilhada por todo o grupo, por isso nunca quisemos tocar na África do Sul ou em lugares onde os negros seriam segregados. Não é porque somos bonzinhos. Nós apenas pensamos: 'Por que você deveria separar os negros dos brancos? Isso é algo estúpido, não é?'", afirmou o músico na ocasião. 


Fontes: Ultimate Classic Rock e Far Out

Imagem: Library of Congress, via Wikimedia Commons