GUERRA DO PARAGUAI

Os índios cavaleiros que ajudaram o Brasil a vencer a Guerra do Paraguai

A participação do povo indígena Kadiwéu na Guerra Paraguai é uma passagem pouco conhecida da história do Brasil. Chamados de "índios cavaleiros" (devido as suas habilidades equestres), eles lutaram do lado brasileiro e teriam sido decisivos para que as terras onde fica o atual Mato Grosso do Sul não caíssem em mãos paraguaias. Ainda hoje os descendentes daqueles guerreiros relembram com orgulho os feitos de seus antepassados.

Os Kadiwéu são descendentes dos Mbayá-Guaikurú, povo que se estabeleceu na região do Chaco, que abrange as encostas do Pantanal matogrossense, além de partes dos territórios da Bolívia, Argentina e Paraguai. Há mais de 300 anos esses índios começaram a dominar a arte da montaria. Eles se apossaram de cavalos durante as inúmeras batalhas que travaram com colonizadores europeus.

O domínio dos cavalos permitiu que esse povo indígena se deslocasse por vastos territórios que atravessavam as planícies alagadas da região. Estima-se que eles chegaram a ter até 8 mil animais entre os séculos XVII e XIX. Guerreiros natos, eles se incorporaram às tropas brasileiras durante a Guerra do Paraguai para impedir que as terras de fronteira caíssem sob o domínio dos paraguaios. De acordo com a tradição dos Kadiwéu, eles teriam aceitado se juntar ao exército após o imperador D. Pedro II ter prometido doar a eles as terras onde hoje fica a reserva indígena na qual vivem.

Mesmo que não existam muitos registros históricos da participação dos Kadiwéu na Guerra do Paraguai, os membros do povo indígena preservam a memória da importância de seus antepassados para o conflito. Segundo relatos orais dos índios, se os brasileiros não tivessem feito aliança com eles, o Brasil teria perdido a guerra e o atual Mato Grosso do Sul seria território paraguaio. 

Apesar da suposta promessa de D. Pedro II, somente em 1984 o governo brasileiro demarcou o limite da reserva indígena onde esse povo vive atualmente. A Terra Indígena Kadiwéu tem 538 mil hectares e é uma das áreas mais afetadas pela onda de incêndios que atinge o Pantanal. Lá moram cerca de 1,7 mil indígenas da etnia. De acordo com o historiador Giovani José da Silva, muitos Kadiwéu acreditam ainda que a Guerra do Paraguai jamais tenha chegado ao fim e que devem estar prontos para serem chamados a qualquer momento, a fim de lutarem por suas terras. 


Fontes: BBC e Notícias da guerra que não acabou: a Guerra do Paraguai (1864- 1870) rememorada pelos índios Kadiwéu

Imagem: Jean Baptiste Debret/Instituto Moreira Salles/Reprodução