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Pesquisadores detectam em Marte moléculas que podem ter origem biológica

Desde 2012, o robô Curiosity, da NASA, investiga a superfície da cratera Gale, em Marte. Um dos objetivos da missão é descobrir se o planeta vermelho já teve condições de abrigar vida no passado. Amostras extraídas pelo equipamento em 2018 revelaram a presença de moléculas que poderiam ser de origem biológica. Agora, pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, se debruçam sobre a descoberta para tentar elucidar se o achado representa uma evidência de que já houve alguma espécie de ser vivo marciano.

Ao examinar as amostras, os cientistas encontraram moléculas semelhantes às de rochas sedimentantes terrestres ricas em substâncias orgânicas, como o tiofeno. Na Terra, esse composto é encontrado em carvão, óleo cru e em trufas. O astrobiólogo Dirk Schulze-Makuch, da Universidade de Washington, acredita que sua presença em Marte pode ser um indicativo de que o planeta vermelho já abrigou vida em um passado remoto.

Em um estudo publicado na revista científica Astrobiology, a equipe liderada por Schulze-Makuch sugere que algum processo biológico, provavelmente envolvendo bactérias, pode ter desempenhado um papel na existência do composto orgânico no solo marciano. Mas, apesar de a origem orgânica do composto ser a mais provável, os cientistas não descartam outras explicações para a sua presença em Marte, como impactos de meteoros. Segundo os pesquisadores, ainda são necessárias outras provas antes que se chegue a alguma conclusão.

A hipótese biológica envolve bactérias que podem ter existido há mais de três bilhões de anos, quando Marte era um planeta mais quente e úmido. Esse ambiente poderia ter facilitado o processo de redução de sulfato, resultando em tiofenos. Novos dados para a pesquisa devem ser coletados em breve, pois a NASA irá mandar um novo robô explorador para o planeta vermelho em uma missão prevista para ser lançada em julho de 2020.


Fontes: CNN e Universidade de Washington, via Eureka Alert

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