pré-história

Pesquisadores reconstroem o rosto de um hominídeo de Denisova pela primeira vez

Há pouco mais de uma década, os restos fósseis de um estranho grupo de hominídeos foram descobertos em uma caverna na Sibéria. Eles foram chamados de hominídeos de Denisova, ou denisovanos. Agora, seu rosto toma forma, 50 mil anos depois, graças a um estudo genético do grupo e a uma reconstrução facial, realizados por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, com o auxílio de uma nova técnica de análise de DNA. Para isso, os cientistas tiveram como base apenas um punhado de ossos e dentes que formam a coleção de todos os fósseis denisovanos encontrados até hoje.

A reconstrução do rosto de uma menina denisovana foi feita usando uma técnica que se baseia na metilação do DNA (que traça um tipo de modificação química genética). Com base em amostras de DNA encontradas em fósseis, os cientistas compararam marcações genéticas denisovanas com as de humanos modernos e neandertais, concentrando-se em suas diferenças. Assim, eles extraíram informações específicas contidas em padrões de atividade genética, sendo capazes de prever as características anatômicas dos denisovanos. Para testar o método, os pesquisadores o aplicaram primeiro a duas espécies cuja anatomia é conhecida: o neandertal e o chimpanzé. Assim, eles descobriram que aproximadamente 85% das reconstruções de características eram precisas. 

Os denisovanos conviveram com os humanos modernos há cerca de 100 mil anos, na Sibéria e leste asiático. Os especialistas acreditam que muitos de seus traços eram similares aos dos neandertais, como a testa baixa, o rosto largo e a pélvis grande. Eles, no entanto, também tinham características dos humanos modernos, como uma grande arcada dentária. "De muitas maneiras, os denisovanos se assemelhavam aos neandertais, mas em alguns traços eles se assemelhavam a nós, e em outros eram únicos", afirmou Liran Carmel, que liderou a pesquisa

Ainda se desconhece o que causou o desaparecimento destes hominídeos, mas acredita-se que cerca de 5% dos ancestrais dos habitantes da Oceania remontem aos denisovanos. Sabe-se inclusive que eles viveram em altas regiões do Tibet. Essas reconstruções são apenas o começo da pesquisa que colocará mais luz sobre os denisovanos.

 

 


Fonte: BBC 

Imagens: Maayan Harel/Universidade Hebraica de Jerusalém/Divulgação