RADIOATIVIDADE

Pico de radiação após explosão na Rússia faz aumentar procura por iodo

Um misterioso acidente causou a morte de cinco funcionários da agência nuclear estatal russa Rosatom. A tragédia aconteceu durante testes em uma instalação militar na região de Archangelsk. Logo após a explosão, os níveis de radiação gama na cidade vizinha de Severodvinsk aumentaram em 20 vezes. Com isso, a população local correu para farmácias para comprar comprimidos de iodo, que podem amenizar os efeitos da radioatividade no corpo humano.

O aumento nos níveis de radiação, que aconteceu durante mais de meia hora, contradiz o Ministério da Defesa da Rússia, que afirmou que nenhuma alteração do tipo havia sido registrada. De acordo com a Rosatom, os funcionários morreram em decorrência da explosão de um motor de propulsor líquido de foguete. As autoridades russas não deram nenhuma explicação a respeito da conexão do acidente com o aumento da radiação.

Fotografias de equipes de resgate usando equipamento de proteção, incluindo respiradores, fizeram aumentar as preocupações sobre o acidente. Um trecho da Baía Dvina, no Mar Branco, também foi interditado à navegação por um mês perto do local da explosão, sem que houvesse uma explicação para isso. Nos últimos dias, as farmácias da região registraram um grande aumento na procura por comprimidos de iodo, iodomarina, iodo normal e iodeto de potássio.

Quando acontece um acidente nuclear, o iodo radioativo é uma das primeiras substâncias que se propagam. O elemento cancerígeno pode ser absorvido pelo ar, alimentos e pela pele, ficando armazenado na tireoide. Como o iodeto de potássio também se armazena na tireoide, a ingestão de comprimidos contendo altas doses da substância sobrecarregará a glândula, que não conseguirá mais absorver nenhum tipo de iodo, seja o inofensivo ou o radioativo. Assim, a substância é eliminada pelos rins. Apesar disso, os comprimidos não protegem o organismo contra outras substâncias radioativas.


Fontes: The Guardian, Estadão e Deutsche Welle 

Imagem: Sputnik/Ministério da Defesa da Rússia, via RT