O UNIVERSO

Pode uma galáxia anã ultracompacta hospedar um buraco negro supermassivo?

Uma equipe de astrônomos fez uma descoberta sem precedentes na história da ciência: conseguiu detectar uma galáxia anã ultracompacta, que aloja, em seu centro, um buraco negro supermassivo. A descoberta permite aos cientistas acreditar que a existência desses enormes buracos negros é muito mais comum do que se imaginava até hoje. “É o menor e mais leve objeto que conhecemos a conter um buraco negro supermassivo”, afirma Anil Seth, autor principal desse estudo internacional sobre a galáxia anã e astrônomo da Universidade de Utah, nos EUA.

Para realizar o trabalho, os astrônomos utilizaram o poderoso telescópio óptico infravermelho de 8,1 metros da Gemini, localizado no hemisfério norte, no vulcão Mauna Kea, no Havaí, e as fotografias capturadas pelo telescópio espacial Hubble. Dessa forma, conseguiram descobrir que a pequena galáxia M60-UCD1 possui um buraco negro supermassivo no seu centro, com uma massa equivalente a 21 milhões de sóis. A descoberta sugere a possibilidade de que existam muitas outras galáxias anãs ultracompactas e que também contenham buracos negros supermassivos, ou seja, restos de galáxias maiores que foram destruídas ao colidir com outras galáxias.

“Não sabemos de nenhum outro modo pelo qual um buraco negro tão grande possa se formar em um objeto tão pequeno”, explica Seth, professor assistente de física e astronomia na Universidade de Utah. “Há uma grande quantidade de galáxias anãs ultracompactas parecidas, e, juntas, podem conter uma quantidade maior de buracos negros supermassivos, como os que existem nos centros das galáxias normais”.

Um buraco negro é uma estrela colapsada, ou um conjuntos delas, com uma gravidade tão forte que até a luz é atraída ao seu interior, sem danificar o material que costuma rodeá-lo e que, geralmente, despeja resíduos de raios X e outras radiações. No caso dos buracos negros supermassivos, acredita-se que concentram a massa de, pelo menos, um milhão de sóis, como o que ilumina nosso planeta.

Fonte: Clarín