CIENCIA

Por que é tão difícil produzir ciência no Brasil?

O Brasil possui cientistas de ponta em diversas áreas e também faz parte de pesquisas importantes no cenário mundial.

Porém, tanto o Estado quanto a iniciativa privada ainda investem menos do que o necessário para que possamos comemorar em alto e bom tom o Dia Nacional da Ciência, neste dia 8 de julho. A data foi criada para incentivar a atividade científica no nosso país.

 

Na iniciativa privada, algumas práticas podem servir de exemplo, como o prêmio UMA IDEIA PARA MUDAR A HISTÓRIA, do HISTORY Latinoamericano. O concurso distribui um total de US$ 170 mil para projetos que podem fazer a diferença, como você pode conferir ao final texto.

 

 

Ciência no Brasil

Recentemente, a pesquisadora Suzana Herculano Houzel anunciou que estava deixando o Brasil, o ministro de Ciência e Tecnologia foi vaiado por cientistas na Bahia e o supercomputador Santos Dumont teve seu funcionamento ameaçado pela alta conta de luz no Rio de Janeiro. Estes três fatos poderiam resumir um triste quadro da pesquisa científica no Brasil?


As expectativas não são boas no que depender de alguns dados do orçamento e do Produto Interno Bruto (PIB) destinados à produção cientifica nacional. Na 68ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na última semana, em Porto Seguro (BA), o corte no orçamento e a fusão do ministério da Ciência e Tecnologia com o das Comunicações serviram de motivo para as vaias ao ministro da pasta Gilberto Kassab, presente no encontro. De acordo com a SBPC, para este ano, foram orçados R$ 3,2 bilhões para ciência, tecnologia e inovação (CT&I), que podem chegar a R$ 4,5 bilhões. A entidade, no entanto, quer lutar para que sejam empregados os mesmos valores de 2013, que eram R$ 9,4 bilhões.

“Nossa luta continua pela reposição do orçamento pelo menos aos níveis do ano de 2013, já que não podemos pensar num estado soberano sem CT&I”, disse Helena Nader, presidente da SBPC, em comunicado no site da entidade.

 

Crise na pós-graduação

Outro corte orçamentário que poderá influenciar nas pesquisas ocorreu no Ministério da Educação. Em 2016, a crise chegou à pós-graduação. Caso o ritmo de enxugamento continue no ano que vem, isso poderá afetar até o mercado com a falta de profissionais qualificados. A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ligada ao Ministério da Educação, vinha em ritmo de expansão até 2015, quando tinha um orçamento de R$ 6,1 bilhões, em 2014, para R$ 7,4 bilhões, em 2015. Em 2016, a verba caiu para R$ 5,3 bilhões. Diante do corte, a entidade está fazendo um esforço para manter as bolsas já concedidas, porém está segurando a concessão de novas.

 

Investimentos

Mesmo quando a economia brasileira não passava por crise, os recursos destinados à pesquisa no Brasil eram insuficientes. O governo federal afirma que, em 2013, foi destinado 1,24% do PIB para pesquisa e desenvolvimento. Este é o último número atualizado. Em países desenvolvidos, este percentual chega a 3,5%.

Em relação às empresas, o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) equivale a 0,55% do PIB brasileiro, percentual bem inferior ao de países como China e Coreia do Sul. Do total investido em P&D no Brasil, as empresas são responsáveis por 45,7%. Na Alemanha e EUA essa proporção fica em torno de 75%. Há ainda algumas questões extras no que diz respeito aos entraves para os cientistas no Brasil como a dificuldade para a importação de materiais para pesquisa, a questão das patentes, o excesso de burocracia, a falta de compreensão do Legislativo sobre o tema, entre outros.  

Diante da necessidade de soluções para resolver questões problemáticas da nossa sociedade, é imprescindível que haja um crescente incentivo da produção do conhecimento científico, de forma que seja acessível para todos. Investir em ciência, tecnologia e inovação tem se mostrado o caminho de investimento de muitos países.

 

UMA IDEIA PARA MUDAR A HISTÓRIA

Boas ideias podem aparecer de todas as partes e, muitas vezes, dependem de um incentivo para mostrarem grande aplicações para a sociedade. Este foi o caso do jovem argentino Gino Tubaro, vencedor do prêmio "Uma Ideia para Mudar a História", promovido pelo HISTORY Latinoamericano. No ano passado, ele foi o grande vencedor com o seu projeto de próteses de dedos, mãos, braços e antebraços produzidas em impressoras 3D. Sua ideia agora está melhorando a vida de muitas pessoas com próteses a preços acessíveis.


Fontes alternativas de energias são assuntos estratégicos para os governos e também estão no foco das grandes ideias. E foi esse o tema do projeto vencedor de Wiesner Alfonso Osorio, da Colômbia. Ele levou o prêmio máximo de 2014 ao criar um gerador de energia a partir da combustão de HHO, obtida por eletrólise de energia solar.

Outra grande iniciativa que foi premiada pelo concurso do HISTORY foi um incrível sistema de potabilização da água, de apenas três etapas, desenvolvido pelo chileno Hans Araya. A ideia foi desenvolvida para ser aplicada em áreas rurais ou de alto risco social. O sistema é totalmente portátil e autônomo graças à eletricidade gerada por um painel solar e uma bateria. 

Uma ideia espetacular que mereceu apoio partiu do mexicano Gerardo Nungaray. Com esforço e criatividade, ele transformou resíduos plásticos em combustível, com particular ênfase ao trabalho dos catadores em seu processo de reciclagem nas grandes cidades. Nungaray concebeu um aparelho capaz de gerar gasolina ou diesel a partir de resíduos de plástico, através de um simples processo de refinamento: os resíduos fornecidos são convertidos em combustível com a ajuda de um catalisador. Sua ideia busca atender a demanda de combustível em zonas desfavorecidas, de desastre, ou de difícil acesso, enquanto ajuda a reduzir as enormes quantidades diárias de lixo que são produzidas nos grandes centros urbanos. 

 


Fontes: Agência Brasil , Centro Alemão de Ciência e Inovação , Estadão, Época, Jornal do Brasil, SBPC

Imagem: Pressmaster/Shutterstock.com