POLÍTICA

Quem é o bilionário George Soros e por que ele é odiado por extremistas

Há anos, extremistas culpam George Soros por todas as mazelas do mundo. Detratores e teóricos da conspiração o acusam de estar por trás de uma trama global que ameaçaria o Ocidente. Mas quem é esse bilionário judeu e por que ele é tão odiado pela direita radical? 

Nascido na Hungria em 1930 e sobrevivente do Holocausto, Soros juntou uma fortuna de aproximadamente US$ 44 bilhões por meio de especulações financeiras agressivas. Em 1979, o investidor deu início a seu trabalho filantrópico, financiando bolsas para universitários negros na África do Sul e ajudando dissidentes do Leste Europeu a estudarem no Ocidente. Cinco anos depois ele criou sua primeira fundação internacional, que daria origem à Open Society Foundations, conjunto de entidades que financiam milhares de projetos de educação, saúde, direitos humanos e valores democráticos liberais em mais de 120 países (inclusive no Brasil).

Soros começou a virar alvo de teorias conspiratórias de comentaristas e políticos de extrema direita no início dos anos 1990. Quando condenou a Guerra do Iraque (2003) e passou a doar milhões de dólares para o partido Democrata dos EUA, os ataques a ele se intensificaram. Mais recentemente, depois que Donald Trump se elegeu presidente, Soros se tornou o bode expiatório preferido de radicais.

Em 2017, um supremacista branco avançou de carro contra uma multidão e matou uma mulher que protestava contra uma marcha de neonazistas em Charlottesville. Logo depois, direitistas radicais passaram a dizer que a violência havia sido planejada e financiada por Soros, que teria o objetivo de manchar a reputação de Trump. Soros também foi acusado de financiar as caravanas de imigrantes que saíram de Honduras para tentar entrar nos EUA. O próprio Trump botou lenha na fogueira, afirmando que não ficaria surpreso se Soros estivesse por trás do movimento. "Muitas pessoas dizem que sim", disse o presidente. Especialistas dizem que não há evidências de que isso seja verdade.

No ano seguinte, Soros recebeu em sua caixa de correio um envelope suspeito. Dentro dele havia uma foto do bilionário riscada com um X em vermelho, além de um cano plástico de 15 cm, um relógio, uma bateria, fios e pó escuro. Vários envelopes semelhantes foram enviados para políticos democratas, como Barack Obama e Hillary Clinton. Nenhum dispositivo explodiu. Na sequência, radicais acusaram Soros de ser o mentor dos envios, que teriam o objetivo de prejudicar Trump e os Republicanos. Mais tarde, o FBI prendeu o verdadeiro responsável: um eleitor de Trump que culpava Soros por "tudo o que estava de errado nos EUA".

Ainda em 2018, um homem branco armado com um fuzil e três revólveres entrou em uma sinagoga em Pittsburgh e assassinou 11 judeus. O atentado, o pior ataque antissemita registrado nos EUA, foi cometido por um homem obcecado por George Soros. Em um post na internet, o atirador acusava Soros de ser "o judeu que financia o genocídio branco e controla a imprensa".  

Soros também já foi alvo de ataques de políticos como o premiê turco Recep Tayyip Erdogan, o ex-vice-premiê italiano Matteo Salvini e o premiê húngaro Viktor Orban. Michael Ignatieff, presidente e reitor da Universidade Central Europeia, financiada pela Open Society, diz que a campanha contra Soros "é uma reprise de todos os temas recorrentes do ódio antissemita dos anos 1930".


Fonte: BBC

Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock.com