ESCRAVIDÃO

Raro mural africano é descoberto por acaso em antiga senzala em Ouro Preto

Um mural que retrata cenas africanas foi encontrado na parede do porão de um antigo sobrado em Ouro Preto (MG). Acredita-se que o local tenha servido de senzala há mais de duzentos anos e que as gravuras tenham sido feitas por uma pessoa escravizada. A descoberta aconteceu durante uma reforma no imóvel, onde funcionará um restaurante. 

As imagens são variadas: algumas mostram figuras humanas agrupadas, lembrando uma dança ou ritual de guerra. Outra cena retrata duas mulheres usando pilões. No mural também há gravuras de aves e de um animal que se assemelha a um guepardo. Além disso, um desenho que chama a atenção representa uma embarcação, que pode ser uma referência a um navio negreiro. "Tudo isso parece registro de alguém que conta sua história. Como os escravos não sabiam escrever, desenhavam", disse Marcelo José Dias Hypólito, pesquisador da história de Ouro Preto, em entrevista ao Estado de Minas.

As gravuras foram feitas em um reboco à base de barro sobre a parede de pedra. O conjunto de desenhos ocupa uma área de 2,50 metros de largura por 1,20m de altura. De acordo com o empresário Philipe Passos, dono do imóvel, o mural deve ser protegido por um vidro e iluminado para que seja melhor apreciado.

Ouro Preto, que no passado era chamada de Vila Rica, fica em uma das principais áreas do chamado ciclo do ouro. Das 3,6 milhões de pessoas negras trazidas à força da África entre 1500 e 1888, 1,8 milhão vieram naquele período histórico. De acordo com pesquisadores, Minas Gerais foi o estado com a maior população de negros escravizados no século XVIII. Confira abaixo um vídeo que mostra o mural recém-descoberto:

 


Fonte: Estado de Minas

Imagem: “Mercado de Escravos” - Johann Moritz Rugendas (1802 - 1858), via Instituto Durango Duarte