joão barone

Reunimos todas as perguntas não respondidas no Hangout de Caminho dos Heróis e enviamos para João Barone. Confira aqui as respostas do nosso expert!

Os fãs de guerras mundiais conferiram na tela do HISTORY o excelente documentário “Caminho dos Heróis”, que foi ao ar no final do Julho. Para completar a jornada histórica por este fascinante tema, os nosso leitores foram brindados com um bate-papo no site do HISTORY com João Barone, idealizador e responsável pelo trabalho, que, além de excelente músico, é filho de um dos integrantes da FEB que foi à Itália e pesquisador aficcionado do assunto. Muita gente participou e, por conta da grande quantidade de perguntas, algumas ficaram sem respostas. "Hitler esteve mesmo no Brasil?", "Como foi a participação de nossos soldados da FEB e da FAB?" estão entre as dúvidas. Como não poderíamos deixar nossos fãs na curiosidade, após o Hangout, o Barone respondeu todas as perguntas enviadas. Confira abaixo a íntegra que preparamos para você!

DAIANE BERMAN - Gostaria de saber se o motivo da Primeira Guerra Mundial ter se iniciado foi realmente a causa da morte de Francisco Ferdinando? Na minha opinião, acho que isso foi mais que um pretexto da então Áustria-Hungria para atacar de vez a '''Sérvia''...
R: Esse fato marcou o início das hostilidades entre os impérios da Europa central e Bálcãs, mas é preciso entender o quadro complexo entre as potências daqueles tempos, que se agravava desde o séc XIX.

BEATRIZ DOS SANTOS: Qual foi a pior guerra, a Primeira ou a Segunda? É verdade que já aconteceram outras guerras mundiais além destas duas?
R: Em termos absolutos, a Segunda Guerra matou mais gente e causou muito mais destruição do que a Primeira Guerra, mas é difícil vislumbrar ambas apenas como mera estatística. As guerras napoleônicas envolveram muitas nações, mas nada anteriormente se compara ao envolvimento de tantos países durante a Segunda Guerra.

SAMUEL GALL: Gostaria de saber quais países possuíam os melhores equipamentos (armas, veículos) e quais os equipamentos eram os melhores?
R: A Alemanha estava proibida de aumentar seu exército, mas se preparou em segredo para lutar uma guerra moderna, mesmo com a França equipada sem restrições, com um exército numeroso, com armas novas. Depois da Primeira Guerra, ninguém queria saber de outro conflito, a guerra era prevista com o modelo antigo, baseado nas defesas estáticas. É bom lembrar que só armas não garantem vitória em campo de batalha, mais que tudo, é preciso uma boa estratégia para o triunfo. Alemães tinham tecnologia muito avançada, mas, no final, não garantiu a vitória sobre os Aliados, muito mais equipados logisticamente.

ANDRÉ SANTOS: Gostaria de saber o por que a Suíça não foi atacada pela Alemanha e pela Itália? E por que a mesma se manteve neutra?
R: Suíça era uma salva-guarda econômica e diplomática para os países em conflito, onde ficava a sede da Cruz Vermelha, onde foi assinada a Convenção de Genebra, que garantia tratamento humanitário aos prisioneiros de guerra, enfim, se tornou um oásis em meio ao horror da guerras.

MARCELO TRUCILIO: Pelo que eu assisti, a derrota de Adolf Hitler foi não ter respeitado Josef Stalin, invadido a União Soviética...
R: A visão histórica é mais profunda. Lembra quando os especialistas em aviação declaram que a queda de um avião é sempre uma somatória de fatores? A História também é assim...

SAMANTHA WILLIS: Os alemães possuíam armas tecnológicas ou biológicas?
R: Alemães inventaram os gases letais usados na Primeira Guerra, mas não usaram armas químicas durante a Segunda Guerra. É fato que a engenharia militar alemã era muito avançada, como provado com o primeiro avião a jato e os foguetes V-1 e V-2, usados em quantidades ínfimas para mudar a maré, ainda no final do conflito.

BRUNO FERREIRA: Segundo o documentário, Lenin teria sido financiado com dinheiro alemão para dar o golpe na Rússia no czar. Os alemães sabiam que as ideias do socialismo seriam a causa desse golpe na Rússia?
R: Certamente que sim. Que ironia saber que os pensadores do comunismo, Marx e Engels, eram alemães...

RENATO BHERING: Bom dia! Gostaria de entender como a bibliografia sobre a Primeira Guerra Mundial trata os reais culpados. É possível responsabilizar uma única nação ou grupo? Ou todos devem ser considerados culpados?
R: Quem fez a primeira ação militar foi a Alemanha, que invadiu a Bélgica... É preciso mergulhar nos fatos e livros para cada um tirar suas conclusões, além das certezas mais difundidas. Culpar só a Alemanha deu no que deu...

ANA RUTH LAINE: Você acredita que Hitler foi um homem com boas intenções, mas acabou deixando o poder “subir à cabeça”?
R: Ele era vegetariano, gostava de criancinhas e não fumava, mas não se pode achar que Hitler tinha boas intenções ao pregar que uma raça superior deveria escravizar as raças inferiores para garantir a supremacia do Reich dos mil anos. Durou apenas 12 anos...

EVANDER RODRIGUES: Dizem que Hitler queria guerra, você acha isso? Todos os países que ele anexou, isso foi feito com a máxima diplomacia possível , com referendos, plebiscitos e etc. Ele também queria paz com a Grã-Bretanha com Rudolf Hess e deixou os ingleses escaparem em Dunderque...
R: Quando Hitler achou que ninguém seria capaz de se opor aos seus desejos de recompor e ampliar os domínios nazistas, ele acabou indo mais longe. Mediu as consequências de seus atos e, em pouco tempo, perdeu a medida de sua vontade de domínio irrestrito. Imagine se um pais qualquer invada a França hoje, imagina o que foi na época...

HALLEY SAM: Também sou apaixonado pelo assunto Segunda Guerra desde pequeno. Quando começou o seu interesse pelo assunto?
R: Meu pai foi ex-combatente, não era militar, nunca glamorizou o tema comigo e meus irmãos, sempre falava que a guerra era horrível. Dai meu interesse em ir fundo nessa temática.

EMANUEL SILVA: Na época que o nazismo estava crescendo, tinham nazistas infiltrados aqui na própria América Latina, doutrinando seus pensamentos antissemitas e sobre a raça ariana?
R: O Brasil era um dos países com maior números de integrantes do partido nazista fora da Alemanha. Levando em conta que todo cidadão alemão tinha que ser nazista, não assusta que a maioria dos alemães que estava trabalhando aqui no Brasil, trabalhava para o Reich, em qualquer escala. Muitos diretores de empresas e profissionais liberais acabaram colaborando como espiões, passando informações estratégicas para o partido na Alemanha. Havia importantes interesses econômicos e estratégicos dos nazistas aqui no Brasil.


ANA RUTH LAINE: Esta confirmada a história de que Hitler poderia ter mandado tropas aqui para o Brasil em busca do El Dourado?
R: Muita gente romanceia o fato de expedições bancadas pelo governo nazista terem sido enviadas para muitos rincões longínquos do planeta. Mandaram cientistas e observadores até aqui para a Amazônia. Só isso.

MÁRCIO LUIS MORAES: Boa madrugada a todos. Tenho 18 anos, sou novo ainda, e estou preocupado com Israel, Palestina. Queria saber: é possível que este conflito se torne uma terceira grande guerra?
R: Dificilmente os conflitos regionais chegarão numa escalada de acontecimentos que detone uma guerra mundial...

DEIVISON RODRIGUES: Olá, Barone. Por qual motivo nos livros ou até mesmo nas mí­dias não é falado sobre os mais de um milhão de voluntários alemães no Terceiro Reich. Obrigado!!!
R: Talvez pelo desconforto que o tema ainda cause às gerações de alemães do pós-guerra, que não perdoam seus antepassados pelo horror nazista. Mas essa estatística serve para mostrar como a população alemã comprou cegamente os idéias de Hitler.

PABLO CRISTIAN: Gostaria de apoio na busca de fontes, pois estou estudando história e pretendo escrever sobre a participação de nossos soldados da FEB e da FAB na Segunda Guerra Mundial.
R: O tema é muito vasto, sugiro que procure seus mestres e peça conselhos para eles. História é coisa séria.

BIANCA DE SOUZA: Olá, querido João Barone, gostaria de saber a sua opinião sobre a suposta profecia de Nostradamus, dizendo que Napoleão Bonaparte teria sido o primeiro anticristo, e o porque de sua resposta.
R: O povo gosta do oculto, mas fica um pouco forçado crer nas profecias como um fato histórico.

ANA RUTH LAINE: Na sua opinião, você acha que pode ter sido possível a fuga de Hitler para o Brasil?
R: O homem mais procurado do planeta acabou em Madureira... Acho que não...

TOMATE CRU: Bom, como todos sabem há aquela dúvida sobre a morte de Hitler, será realmente possível que a suposta fuga dele pra América do Sul tenha sido negociada com os norte-americanos e o suicídio tenha sido apenas algo de fachada?
R: A luta pela liberdade nos garantiu o direito de acreditar em qualquer história, se assim for do nosso desejo. Só sei é que se Hitler tivesse vencido a guerra, você não estaria aqui fazendo esse tipo de pergunta. Que alívio.

CAROLINA MARINHO:  Segundo o livro "Hitler no Brasil - Sua Vida e Sua Morte", dissertação de mestrado em jornalismo de Simoni Renée, Hitler teria vivido em Nossa Senhora do Livramento, no Mato Grosso. João, você acha que isso pode ter realmente acontecido?
R: Sim, eu até incluo a possibilidade de que ele chegou lá à bordo de um disco voador, pilotado pelo ET de Varginha...

ANDRÉ FERNANDES PELEGRINI: Boa tarde amigos, gostaria de saber se houve alguma participação do Brasil na área de inteligência (espionagem, contra espionagem) nas guerras mundiais. Abraços.
R: Havia um núcleo de contra espionagem da OSS americana operando aqui no Brasil. Fora isso, alguns soldados brasileiros que falavam alemão foram usados para interrogar prisioneiros e participar de patrulhas durante as ações da FEB na Itália...

DIEIME LEHMEN: Boa tarde!! É sobre a FAB, li um livro Missão 60, do Tenente Fernando Pereyron Mocellin, falando que o treinamento dos pilotos foi feito nos EUA e que os nossos pilotos tiveram destacada participação.
R: Grande obra, muito boa narrativa da jornada dos pilotos da FAB durante a guerra.

LUIZ CARLOS NAPOLITANO: Boa noite. Porque a batalha de Monte Castelo foi tão complicada para FEB?
R: Levou um tempo até a FEB se ajustar em campo de batalha, se adequar com as exigências dos americanos  e manter o comando da FEB com certa autonomia. Foi um período de ganho de experiência até o comando brasileiro conseguir um melhor rendimento das operações.

LUIS CARLOS: A entrada do Brasil na guerra pode ter sido a maior causa para o suicí­dio e o fim do governo Vargas?
R: não, pois Vargas se suicidou muito depois do final da guerra.Mas a FEB foi responsável pela volta da democracia ao pais.

BRENNO SOUZA: Em plena Segunda Guerra Mundial, o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt veio ao Brasil (Natal) para um encontro com o então presidente Getúlio Vargas. Houve relação com a Segunda Guerra Mundial? Qual?
R: O encontro entre Roosevelt e Vargas em janeiro de 43 foi determinante para fechar a aliança entre Brasil e Estados Unidos, no momento exato em que a guerra virava favoravelmente aos Aliados. Na ocasião, Vargas decidiu que levar tropas brasileiras para lutar seria o compromisso para colocar nosso país junto às nações da nova ordem mundial.

ARTHUR PASCHOAL: Quantos estrangeiros (não alemães) formavam o efetivo alemão tanto na Wehrmacht e Waffen SS? Dentre estes, quantos brasileiros responderam ao chamado do "volksdeutsche"?
R: Leia o livro Soldados Brasileiros de Hitler, do professor Dennison Oliveira.

MICHEL DIB: Qual é a história dos três heróis brasileiros que foram admirados até pelos alemães? Porque esta história não é contada para não termos orgulho dos nossos combatentes?
R: Muitos episódios de heroísmo são contados pelos ex-combatentes, dentre eles, o caso dos três bravos brasileiros, enterrados numa cova, com esta frase gravada pelos alemães numa cruz.

 

PERDEU O HANGOUT E QUE SABER MAIS?

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