ESPAÇO

Soyuz XI: o mistério das únicas três pessoas que morreram no espaço

Soyuz XI é o nome da primeira missão espacial tripulada a habitar uma estação espacial, a Salyut I, onde permaneceu por 22 dias. Lançada em 6 de junho de 1971, a missão retornou à Terra no dia 29 do mesmo mês, superando, até então, o recorde de permanência no espaço. Durante o retorno, a nave soviética colocou em funcionamento seu mais recente sistema automático de aterrissagem, o que tranquilizou os engenheiros na base terrestre, apesar de terem perdido contato com a tripulação durante os últimos minutos da manobra. Os cosmonautas Vladislav Vólkov, Gueorgui Dobrovolski e Viktor Patsayev estavam, finalmente, a um passo de voltar para casa, porém ninguém imaginava que, naquele instante preciso, nascia um dos maiores mistérios da história aeroespacial.

Mesmo sem contato direto entre a base e a nave, todos os sistemas indicavam um procedimento normal de entrada na ionosfera, e a tripulação aterrissava como o previsto. No entanto, uma vez em terra, os técnicos se surpreenderam quando, ao abrir a escotilha, encontraram os três cosmonautas mortos. A partir daí, surgiram sucessivas e múltiplas hipóteses para tentar explicar por que a tripulação da Soyuz XI morreu apesar de todas as condições parecerem normais durante a aterrissagem. 

Mas o que realmente teria acontecido com eles? Tom Stafford, chefe do corpo de astronautas da NASA, acreditava que o estresse fisiológico causado pelo longo voo teria causado a tragédia. Já um médico da Agência Espacial dos EUA especulou que alguma substância tóxica contaminou o módulo de aterrissagem.

A teoria mais aceita diz que uma válvula rompida fez com que os homens morressem de descompressão. A queda violenta da pressão do ar teria feito com com que o ar nos pulmões se expandisse e rasgasse o delicado tecido dos órgãos vitais. A descompressão também vaporizaria a água nos tecidos moles do corpo, produzindo um certo inchaço. O vazamento contínuo de gás e vapor de água levaria a um resfriamento dramático da boca e das vias aéreas. A água e o gás dissolvido criariam bolhas, impedindo o fluxo sanguíneo. Até hoje as autópsias oficiais do Hospital Militar Burdenko permanecem sob sigilo.


Fonte: All That is Interesting

Imagens: Reprodução