MULHERES CIENTISTAS

Uma princesa desafiou convenções para se tornar pioneira da medicina de guerra

Uma russa de nobre linhagem lituana derrubou várias barreiras sociais no início do século XX. A princesa Vera Gedroits foi a primeira mulher a atuar como cirurgiã militar e professora de cirurgia na Rússia. Ela ficou conhecida por ter sido a pioneira em aplicar a técnica de laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) em soldados feridos nas frentes de batalha. Assim, ela deixou a sua marca na medicina de guerra.

Na juventude Gedroits foi para a Suíça, onde se tornou uma das primeiras mulheres a estudar medicina no país. Após voltar à Rússia, ela se inscreveu como voluntária na Cruz Vermelha para atuar na a guerra russo-japonesa (1904-1905). Nesse período, ela trabalhou em hospitais de campanha. Gedroits  tratava soldados que haviam sofrido uma grande variedade de lesões graves. Por essa razão ela ganhou experiência em cuidar de ferimentos e identificar as armas que os haviam produzido. 

Em suas anotações, ela descreveu a dificuldade em tratar as lesões abdominais em um cenário de guerra. Geralmente os cirurgiões optavam por não intervir em casos assim. Os pacientes eram apenas monitorados (muitos deles acabavam morrendo). Contrariando seus colegas, Gedroits resolveu fazer intervenções cirúrgicas nesses pacientes. Ela realizava cirurgias abdominais nos feridos com o objetivo de interromper sangramentos ou para drenar o excesso de líquidos, apesar dos riscos de infecção.

Após voltar da guerra, a médica trabalhou para a família real russa. Em 1917, por conta da Revolução Russa ela teve que se dissociar dos Romanov para não ser punida pelo governo provisório. Por isso ela voltou aos campos de batalha para atuar como cirurgiã durante a Primeira Guerra Mundial. Ferida, acabou deixando a atuação no conflito e foi morar na Ucrânia. Lá, trabalhou como professora de cirurgia pediátrica no Instituto Médico de Kiev . 

Gedroits também se destacou por seus costumes avançados para a época. Homossexual assumida, ela costumava usar roupas masculinas. Na Ucrânia, além da medicina, ela se dedicou à literatura. Em 1930, durante os expurgos promovidos por Joseph Stálin para punir os opositores ao regime soviético, ela perdeu seu cargo no Instituto. A médica morreu de câncer, dois anos depois.


Fonte: BBC

Imagem: Yale University, via Wikimedia Commons