Raul Seixas

Raul Seixas

Um dos grandes nomes da música brasileira, Raul Seixas é venerado até hoje por seus fãs. Frequentemente, é considerado um dos pioneiros do rock no país, chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza". Também realizou parcerias de sucesso com o escritor Paulo Coelho e o músico Marcelo Nova.

Nascido em Salvador, na Bahia, no dia 28 de junho de 1945, ele iniciou sua carreira musical em 1962, época em que a bossa nova estava em alta. Contudo, ele preferiu seguir seu próprio estilo, com influência do rock and roll, associada a elementos da música nordestina como o baião, xaxado e música brega. Quando adolescente, Raul chegou a fundar um fã-clube brasileiro do cantor Elvis Presley.

Sua primeira banda era chamada Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde mudaria de nome para The Panthers e, finalmente, Raulzito e os Panteras. A fama e o reconhecimento, no entanto, ainda estavam longe, tanto que no final dos anos 60, Raul tentou a carreira como produtor na CBS, onde produziu e compôs com Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Trio Ternura, Sérgio Sampaio e outros. Raul acabou demitido do trabalho por usar o dinheiro da empresa, sem conhecimento dos seus superiores, na realização do seu LP, “Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez”.

O reconhecimento do seu trabalho aconteceria em 1972, quando foi às finais do Festival Internacional da Canção, evento de música da Rede Globo, com “Let Me Sing Let Me Sing” e “Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo”. A participação valeu um contrato com a Philips Phonogram. Ele lançou um compacto com esta música e, mais tarde, um segundo, “Ouro de Tolo”, seu primeiro grande sucesso.

Era o começo de uma carreira promissora, em que produziu 21 álbuns de estúdio ao longo de 26 anos. Entre seus parceiros musicais está o escritor Paulo Coelho. Eles começaram a formar uma dupla criativa com o grupo Sociedade Alternativa, de cunho anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos. O trabalho foi considerado subversivo pelo regime militar brasileiro e ambos se exilaram nos Estados Unidos, entre 1973 e 1974. No exterior, Raul conheceria ídolos como Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.

Nesta época, foi lançado “Gita”, possivelmente o seu maior sucesso de vendagens e repercussão. Depois, seguiram outros trabalhos igualmente bem aceitos pelo público como “Novo Aeon”, “Há 10 Mil Anos Atrás” (último em parceria com Paulo Coelho), “Raul Rock Seixas”, “O Dia Em Que a Terra Parou”.

A partir dos anos 80, a saúde de Raul Seixas mostrou sinais de fragilidade pelo abuso de álcool. Contudo, ele seguiu trabalhando em projetos como “Mata Virgem”, “Por Quem os Sinos Dobram”, “Abre-te Sésamo”. Passou a sofrer de hepatite crônica em virtude da bebida e começou a ter problemas com contratos e shows.

Pouco antes de sua morte, em 1988, Raul compôs, gravou e excursionou com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda punk Camisa de Vênus. Seu último LP, “A Panela do Diabo”, foi lançado dois dias antes de sua morte, em 21 de agosto de 1989.

Ele morreu em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco, resultado do seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético e por não ter tomado insulina na noite anterior, o que provocou uma pancreatite aguda fulminante.

Curiosamente, depois disso, Raul passou a ser mais venerado do que nunca e seus trabalhos póstumos foram todos sucessos de vendas. Até hoje é comum escutar o pessoal gritando "toca Raul" ao pedir música para bandas em bares e festas.

 


Imagem via Wikimedia Commons