mudanças climáticas

Incêndios zumbis: o fenômeno que emite carbono em um ritmo recorde no Ártico

Segundo dados fornecidos pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus, na Europa, os incêndios na região do Ártico emitiram em junho mais de 50 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso representa uma das emissões mais altas da história e quase nove vezes as emissões registradas durante o mesmo mês no ano de 2018. Parte do problema é causado pelos chamados "incêndios zumbis".

Eles levam esse nome porque são incêndios antigos que ressurgem devido às condições climáticas propícias.  As chamas no Ártico se expandem pelas florestas e turfeiras da Sibéria, região que engloba todo o norte da Rússia e abriga a maior floresta do mundo. A vegetação seca é capaz de arder inclusive sob uma grossa camada de neve, mantendo-se acesa e reavivando-se quando as temperaturas permitem, algo cada vez mais frequente.

A temporada de incêndios no Ártico, que geralmente começa em maio, está se antecipando cada vez mais, e neste ano começou em março, segundo os dados dos satélites. O fenômeno pode estar ligado ao acelerado aquecimento global, que nessa região ocorre duas vezes mais rápido que no resto do mundo. Isso, no entanto, não acontece por si só, mas por conta de um ar cada vez mais quente, com baixas precipitações e níveis de umidade.

As altas temperaturas que atingem o Ártico no verão do hemisfério norte causam uma série de transtornos na Sibéria.  Somente em 2020 já foram registrados mais de 30 incêndios que queimaram 358.472 hectares de florestas. A região está sofrendo com uma onda de calor sem precedentes. No dia 20 de junho, a cidade de Verkhoyansk registrou a temperatura recorde de 38° CCaso seja confirmada por órgãos oficiais, essa é a maior temperatura já registrada acima do Círculo Polar Ártico. 


Fonte: Bloomberg

Imagens: Shutterstock.com